GhostAd: Adware Oculto no Google Play Drena Recursos e Afeta Milhões de Usuários

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Flavio Sartori

Milhões de usuários Android foram afetados por uma campanha de adware em larga escala, batizada de GhostAd, que se infiltrou no Google Play por meio de aplicativos aparentemente inofensivos. A descoberta, feita pelos pesquisadores da Check Point Research (CPR), a divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software, revela um mecanismo de publicidade oculto que opera de forma persistente, drenando recursos do smartphone e interrompendo o uso normal do dispositivo.

A operação GhostAd utilizava apps como editores de emoji e ferramentas utilitárias para manter um motor de publicidade ativo em segundo plano, mesmo após o fechamento do aplicativo ou a reinicialização do aparelho. Esse comportamento forçado gerava impressões de anúncios de forma contínua, resultando em um impacto direto e negativo na bateria, no consumo de dados móveis e no desempenho geral dos dispositivos.

A equipe da CPR identificou pelo menos 15 aplicativos envolvidos na campanha, alguns dos quais chegaram a estar disponíveis na loja oficial do Google no início da investigação. Juntos, esses aplicativos somavam milhões de downloads, com um deles alcançando o segundo lugar na categoria “Top Free Tools” do Google Play.

A maior concentração de vítimas foi observada no Sudeste Asiático (Filipinas, Paquistão e Malásia), mas casos também foram registrados na Europa, África e Israel, refletindo o perfil de usuários que frequentemente instala aplicativos gratuitos desse tipo.

O sucesso do GhostAd residia na combinação de três mecanismos que lhe conferiam uma persistência incomum e difícil de ser interrompida por usuários comuns:
  • Serviço de Primeiro Plano Ativo: Exibindo apenas uma notificação vazia para manter o processo rodando.
  • JobScheduler: Configurado para reativar as tarefas de publicidade a cada poucos segundos.
  • Ciclo Contínuo de Anúncios: Utilização de SDKs legítimos (como Pangle, Vungle, MBridge, AppLovin e BIGO) para carregar e atualizar anúncios incessantemente.
Essa combinação criava um sistema de AutoRecuperação que levava os usuários a perceberem impactos como lentidão, pop-ups constantes, aumento no consumo de dados, aquecimento anormal e até o desaparecimento de ícones ao tentar desinstalar o aplicativo.

Após ser notificado pela Check Point Software, o Google agiu prontamente, removendo todos os aplicativos identificados. Além disso, o Google Play Protect passou a desativar automaticamente esses aplicativos nos dispositivos onde permaneciam instalados.

A CPR alerta que o risco do GhostAd se estende ao ambiente corporativo. Aplicativos com permissões de armazenamento podem acessar arquivos sensíveis (downloads, documentos, capturas de tela). Com conectividade constante, há a possibilidade de que dados sejam examinados ou transmitidos a servidores remotos, mesmo sem a exploração de vulnerabilidades.

A descoberta do GhostAd serve como um lembrete de como infraestruturas de publicidade legítimas podem ser manipuladas para criar redes abusivas. A Check Point Research recomenda que os usuários adotem as seguintes práticas:
  • Evitar a instalação de aplicativos com nomes genéricos ou que solicitem permissões exageradas.
  • Consultar as avaliações de outros usuários antes de baixar.
  • Verificar a presença de notificações persistentes incomuns.
  • Revisar periodicamente a lista de aplicativos instalados.
A Check Point Software reforça a necessidade de soluções de segurança atualizadas e de uma vigilância mais rigorosa por parte das plataformas de distribuição para proteger os usuários contra ameaças que, como o GhostAd, confundem a fronteira entre marketing e software malicioso.

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