ABEIFA fecha 2025 com alta de 31,7% nas importações, mas presidente critica: "Acelera com o freio de mão puxado"
A Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Fatos e Acessórios (ABEIFA) encerrou o ano de 2025 com um saldo positivo nas vendas, mas o otimismo foi temperado por fortes críticas à política econômica nacional. Segundo dados divulgados pela entidade, o acumulado do ano atingiu 137.973 unidades emplacadas, representando um crescimento expressivo de 31,7% em relação às 104.729 unidades de 2024. Somente em dezembro, o aumento foi de 56,8% na comparação com o mês anterior.
Apesar dos números robustos, o presidente da ABEIFA, Marcelo de Godoy, traçou um panorama desafiador para a economia brasileira. Ele utilizou uma analogia para descrever a situação: o país está "acelerando com o freio de mão puxado", travado por fatores como juros altos, infraestrutura deficitária e instabilidade regulatória.
Godoy apontou a taxa de juros como o principal obstáculo ao crescimento sustentável do setor. O executivo criticou o crescimento de 2,6% do setor automotivo em geral em 2024, considerando-o abaixo do potencial.
"A nossa frota é a mais velha de toda a história, com idade média de 11, 12 anos. Para renová-la, precisaríamos crescer quase dois dígitos", afirmou.
Ele destacou que empréstimos a 15% ao ano são "quase impeditivos" e defendeu que, para um crescimento sustentável, os juros nominais precisariam cair para a faixa de 8% a 9%. A crítica se estendeu à contradição entre o fomento a gastos pelo governo e a política restritiva do Banco Central, reforçando a necessidade de um controle fiscal mais rigoroso para permitir a queda dos juros.
Outro ponto de forte crítica foi a falta de clareza e constância nas regras para o setor, citando as recentes alterações nas alíquotas de importação. Godoy defendeu uma economia "o mais aberta possível e com regras claras" como motor de crescimento sustentável.
Sobre a crescente presença de fabricantes chinesas no mercado, o presidente da ABEIFA foi direto: "A invasão chinesa vai acontecer e está acontecendo, mas não tá nem perto do fim. Tá começando." Ele ponderou que a penetração dessas marcas no Brasil ainda é baixa, mas defendeu que a concorrência é bem-vinda, desde que estruturada e com regras definidas.
Apesar do cenário macroeconômico, alguns segmentos se destacaram. O mercado de veículos premium cresceu 31,7% em 2024. Além disso, a transição energética avança significativamente: os carros híbridos e elétricos já representam 35% das importações das empresas associadas à ABEIFA.
Godoy projetou que "o movimento de saída dos combustíveis fósseis é forte" e que a "conversão para o elétrico vai acontecer nos próximos dias", citando o sucesso de novas marcas como a chinesa GWM como um sinal da transformação do mercado.
O executivo finalizou alertando para os problemas crônicos de infraestrutura e a perda de relevância do Mercosul como origem das importações, reforçando que o país precisa investir em "estradas, portos, aeroportos" para que o PIB possa crescer de forma ordenada.

Comentários
Postar um comentário