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Uma ampla maioria da população brasileira rejeita a ideia de que o desmatamento da Amazônia é um caminho necessário para o desenvolvimento econômico do país. É o que aponta a quarta edição da pesquisa nacional "Mudança do clima na percepção dos brasileiros" , realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) em parceria com a Ipsos-Ipec. O levantamento, divulgado em dezembro de 2025, revela um consenso crescente sobre a importância da preservação ambiental e a alta percepção dos riscos climáticos.
O dado central da pesquisa mostra que 58% dos brasileiros discordam da afirmação de que o desmatamento na Amazônia é necessário para o crescimento da economia. Desse total, 49% discordam totalmente e 9% discordam parcialmente. A rejeição é ainda mais acentuada entre a população com nível de escolaridade superior (58%) e na faixa etária de 25 a 34 anos (55%) .
A preocupação com a floresta transcende o espectro político. Um total de 81% dos entrevistados concordam totalmente que o desmatamento na Amazônia representa uma ameaça para o clima e o meio ambiente do planeta. Essa proporção se manteve estável desde a última edição da pesquisa, em 2022, e demonstra um alto grau de conscientização que abrange diferentes ideologias :
- 91% dos que se consideram de Esquerda concordam totalmente com a ameaça climática do desmatamento.
- 84% dos que se consideram de Centro concordam totalmente.
- 74% dos que se consideram de Direita concordam totalmente.
Além do impacto ambiental, a população também percebe consequências negativas diretas para o país :
- 73% afirmam que o desmatamento prejudica a imagem do Brasil no exterior.
- 73% afirmam que o desmatamento prejudica a qualidade de vida da população local.
- 60% afirmam que o desmatamento prejudica as relações comerciais do Brasil com outros países.
"A pesquisa revela a percepção para a maioria dos brasileiros de que as queimadas e o desmatamento na Amazônia representam uma ameaça ao clima, ao meio ambiente e à imagem do Brasil. Esse entendimento pode criar um ambiente favorável para o avanço de políticas públicas mais efetivas, baseadas na responsabilização dos agentes envolvidos e na adoção de estratégias de prevenção, fiscalização e desenvolvimento sustentável," destaca Rosi Rosendo, diretora da área de opinião pública da Ipsos-Ipec .
A percepção sobre a causa das queimadas na Amazônia também foi detalhada. Quase a totalidade da população (97%) afirma ter ouvido falar sobre o problema, e 75% acredita que o fenômeno é provocado por ação humana .
Entre os que atribuem a causa à ação humana, a população aponta grupos específicos como os principais responsáveis pelos incêndios florestais :
- Madeireiros (27%)
- Garimpeiros (18%)
- Grandes Produtores Rurais (16%)
- Pecuaristas e Criadores de Animais (12%)
- Políticos (9%)
- Pequenos Agricultores (6%)
A pesquisa também abordou a percepção geral sobre a mudança do clima. 93% da população brasileira percebe que o aquecimento global está acontecendo, e 74% acredita que a ação humana é a causa principal. A preocupação é alta, com 79% da população se dizendo preocupada ou muito preocupada com o tema .
Um impacto sentido diretamente no cotidiano é o aumento no preço dos alimentos, percebido por 94% dos brasileiros. Desses, 65% acreditam que o encarecimento é uma consequência direta do aquecimento global .
Quando o assunto é a responsabilidade pela solução do problema climático, os principais agentes apontados são :
- Empresas e indústrias (35%)
- Governos (34%)
- Cidadãos (20%)
Apesar de delegar a maior responsabilidade a outros setores, os brasileiros demonstram engajamento em ações individuais. As principais atitudes citadas são :
- Separar lixo para reciclagem: 76%
- Compartilhar informações ou notícias em defesa do meio ambiente: 63%
- Deixar de comprar ou usar algum produto que prejudica o meio ambiente: 56%
- Votar em algum político em razão de propostas para defesa do meio ambiente: 45%
A pesquisa "Mudança do clima na percepção dos brasileiros" está em sua quarta edição e foi realizada por meio de entrevistas telefônicas com 2.600 pessoas com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país. A coleta de campo ocorreu entre 10 de outubro e 11 de novembro de 2025, com margem de erro total de 2 pontos percentuais

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