Pix ganha espaço no e-commerce, mas divide protagonismo com o cartão

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Flavio Sartori

De acordo com o estudo “Panorama E-commerce”, da Visa Conecta, o cartão de crédito ainda lidera como meio de pagamento mais utilizado na última compra online, com 47% de participação, seguido de muito perto pelo Pix, com 45%. O dado reforça que o consumidor brasileiro já incorporou o pagamento instantâneo ao seu dia a dia digital, colocando o Pix no centro da estratégia dos varejistas.

O levantamento mostra que 95% dos consumidores já utilizaram Pix em compras online, índice que evidencia a rápida adoção do sistema desde seu lançamento pelo Banco Central. Entre os principais motivos para a escolha do Pix estão rapidez, aprovação imediata da transação e praticidade, fatores decisivos em um ambiente em que o consumidor espera fluidez e agilidade.

Apesar da força do Pix, a etapa de pagamento continua sendo o maior gargalo da jornada de compra no e-commerce. O estudo revela que 58% dos consumidores que desistiram de uma compra online o fizeram justamente no momento do pagamento, sendo 37% na escolha do meio de pagamento e 21% durante a inserção ou confirmação de dados.

No caso do Pix, o modelo mais comum ainda exige que o usuário saia do ambiente da loja para concluir o processo no aplicativo do banco, seja para escanear um QR Code ou copiar e colar um código. Esse “vai e vem” entre apps, especialmente no celular, aumenta a fricção, favorece distrações e amplia o risco de abandono de carrinho.

Se por um lado o Pix é associado à agilidade, por outro carrega uma percepção de maior exposição a fraudes em comparação ao cartão de crédito. Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros relataram já ter enfrentado algum tipo de problema de fraude envolvendo Pix, enquanto no cartão de crédito esse percentual cai para 36%.

A possibilidade de reembolso também pesa na avaliação do consumidor: 61% dos entrevistados demonstraram menor satisfação com o Pix nesse quesito. No cartão, mecanismos de contestação de compra e estornos mais consolidados reforçam a sensação de proteção. Mesmo assim, o índice de satisfação geral com o Pix no e-commerce é alto, chegando a 78%, muito próximo dos 74% observados no cartão de crédito.

O estudo indica que o brasileiro não só percebe as fricções do modelo atual de pagamento com Pix, como está disposto a experimentar soluções mais fluidas. Nada menos que 87% dos entrevistados consideram atraente a possibilidade de concluir um pagamento via Pix em poucos segundos, sem precisar mudar de ambiente ou enfrentar várias etapas.

Além disso, 70% afirmam que aceitariam vincular seus dados bancários à loja para agilizar compras futuras, desde que haja garantias de segurança. Esse dado abre espaço para modelos de iniciação de pagamento e integrações com Open Finance, capazes de transformar o Pix em uma experiência quase “invisível” dentro do checkout, aproximando-o da lógica do “um clique para comprar”.

De olho nesse cenário, a Visa Conecta, hub de inovação e Instituição de Pagamento da Visa Inc., desenvolveu uma solução de iniciação de pagamentos voltada justamente para o Pix no e-commerce. A proposta é permitir que o consumidor finalize a compra dentro do próprio ambiente da loja, reduzindo o número de cliques e eliminando etapas consideradas desnecessárias.

Segundo Leonardo Enrique, diretor executivo da Visa Conecta, a integração mais profunda entre lojas, bancos e meios de pagamento tende a aumentar a taxa de conversão e diminuir o abandono de carrinho, beneficiando tanto varejistas quanto consumidores. Em um momento em que o Pix reconfigura a forma de pagar no Brasil, o desafio passa a ser menos sobre adoção e mais sobre como torná-lo, de fato, simples, seguro e invisível aos olhos do usuário.

Principais números do estudo

  • 58% dos consumidores que desistiram de uma compra online o fizeram no momento do pagamento, sendo:

    • 37% na escolha do meio de pagamento.

    • 21% na inserção ou confirmação dos dados.

  • 34% dos brasileiros compram online ao menos 1 vez por semana; entre jovens, esse índice chega a 45%.

  • 52% compram quinzenalmente ou mensalmente.

  • Horário das compras: 38% à tarde e 37% à noite; entre 18–24 anos, esse período concentra 48% das compras.

  • Canal de compra: 79% das transações online já ocorrem pelo celular; desktop/notebook respondem por 12% e tablets por 6%.

  • Onde compram: 71% das compras acontecem em marketplaces, 20% em sites de lojas e 8% em redes sociais/links diretos.

Pix x cartão no e-commerce

  • Participação na última compra: cartão de crédito 47%, Pix 45%.

  • Por que escolhem Pix:

    • Rapidez (56%).

    • Aprovação imediata (52%).

    • Praticidade (52%).

  • Por que escolhem cartão de crédito:

    • Parcelamento (53%).

    • Hábito de uso (40%).

    • Controle financeiro (38%).

  • 95% dos consumidores já usaram Pix em compras online.

  • Satisfação com a experiência de pagamento:

    • Pix: 78%.

    • Cartão: 74%.

Segurança, fraude e reembolso

  • 62% dos brasileiros relataram já ter enfrentado algum problema de fraude envolvendo Pix em compras online.

  • No cartão de crédito, o índice é bem menor: 36% relataram problemas do tipo.

  • 61% dos entrevistados declararam menor satisfação com o Pix em relação à possibilidade de reembolso, o que pesa na percepção de segurança do método.

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