Apostas no Brasil: NielsenIQ revela que 26,3% dos lares participaram em 2025, com impacto na renda e consumo
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| imagem gerada por IA |
Um estudo da NielsenIQ revela que 26,3% dos domicílios brasileiros realizaram algum tipo de aposta em 2025, evidenciando a crescente inserção das chamadas “bets” nos gastos familiares. Dentre os lares apostadores, 49% veem a prática como uma forma de obter renda extra, enquanto 10% admitem substituir gastos essenciais para comportar as apostas.
Gabriel Fagundes, líder para insights da indústria da NielsenIQ, destaca a dimensão que essa prática está tomando, "Já havíamos identificado que apostar se tornou uma prática popular e comum na rotina do consumidor brasileiro. Agora, os números apontam também a dimensão que essa prática está tomando dentro dos gastos do domicílio e na renda dos apostadores.”
A pesquisa aponta que 10% dos lares apostadores substituem gastos devido às apostas. Desse grupo, 47% afirmam que a categoria de alimentos é a mais afetada, enquanto 45,3% indicam que as contas fixas (água, luz, internet) sofrem maior impacto. A principal estratégia para acomodar esse novo gasto é a redução na quantidade de itens comprados, com 60% das categorias registrando diminuição no volume adquirido.
As modalidades de apostas mais populares são a Mega-Sena (15,8% dos lares apostadores) e o Jogo do Tigrinho (7,7%). O jogo do bicho e as bets tradicionais aparecem em seguida, com 3,9% e 3,6%, respectivamente.
Para 49% dos apostadores, a motivação principal é a busca por renda extra, enquanto 43,5% esperam uma grande mudança na vida. Este último perfil é mais comum na Mega-Sena e tende a realizar jogos mais casuais e com menor frequência.
O Jogo do Tigrinho atrai majoritariamente apostadores de Nível Socioeconômico (NSE) médio (63,3%) e lares mais jovens (42,4% até 35 anos). Já a Mega-Sena é mais popular entre jogadores de NSE alto (45,5%) e com mais de 51 anos (49,1%).
O Nordeste lidera em número de lares apostadores (29%), seguido pelo Sul (28,3%). A pesquisa identificou três perfis de apostadores:
•Casuais: Jogam pelo menos uma vez por mês (73% dos lares apostadores).
•“Pro”: Apostam uma vez por semana (28% dos lares apostadores), com 65,8% buscando renda extra.
•“Elite”: Também apostam semanalmente e gastam mais de R$ 100 por mês (9,3% dos lares apostadores), com 63,2% buscando renda extra.
Entre os lares que participam do Jogo do Tigrinho, 51,1% gastam entre R$ 30 e R$ 100 mensais. Esses apostadores, com renda mensal entre R$ 1.400 e R$ 2.800, destinam de 1% a 7% de sua renda para as apostas. Na Mega-Sena, o gasto é mais brando, com 55,5% dos praticantes gastando até R$ 30 por mês devido à natureza mais esporádica das apostas.
Categorias de indulgências são as mais impactadas nos lares apostadores. A cerveja, por exemplo, registrou a maior retração na cesta de gastos, com queda de participação de -1,7 pontos percentuais. Biscoitos (-0,4pp), refrigerantes e perfumes também apresentaram impactos semelhantes.
O canal de compras Cash & Carry se destacou, crescendo 1,8pp entre lares apostadores e 1,6pp entre não apostadores em 2025.

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