FGV recomenda que Google desindexe sites de "nudify" para proteger mulheres, crianças e adolescentes de violência online.
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| imagem gerada por IA |
Pesquisadores do Programa de Diversidade & Inclusão e do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio lançaram o policy brief "Desindexação de Sites de 'Nudify' pelo Google: Proteção de Direitos Humanos e Prevenção de Violência Online contra Mulheres, Crianças e Adolescentes". O documento combina análise de 265 semanas de dados do Google Trends (fevereiro de 2021 a fevereiro de 2026) com argumentos jurídicos para pedir a desindexação imediata de sites que oferecem apps de "nudificação" por IA — ferramentas que transformam fotos reais em imagens sexualizadas falsas. Coordenado pela professora Yasmin Curzi, o estudo alerta para o risco de abusos em escala industrial.
Os dados revelam um padrão alarmante de buscas com múltiplos picos nacionais. O interesse máximo (índice 100) ocorreu em 28 de dezembro de 2025, coincidindo com a produção em massa de imagens pelo Grok, ferramenta de IA da empresa X de Elon Musk. Regiões como Roraima, Santa Catarina, Paraná e Ceará lideraram, mostrando disseminação ampla, inclusive no Norte e Nordeste. Termos em alta incluem "nudify undress", "free nudify", "telegram nudify", "despir IA" e "nudes IA", muitos buscando opções gratuitas.
A indexação pelo Google atua como portal principal de descoberta, legitimando os sites e eliminando barreiras técnicas — basta uma busca simples em português para acessá-los. "Isso amplifica exponencialmente tecnologias de abuso, facilitando violência de gênero e abuso infantil", afirma Yasmin Curzi. O estudo equipara nudify a CSAM (imagens de abuso sexual infantil) e NCII (imagens íntimas não consensuais), já desindexados pelo Google, invocando LGPD, Marco Civil da Internet e jurisprudência brasileira.
O policy brief propõe desindexação imediata, filtros algorítmicos contra indexação futura e remoção de sugestões de autocompletar. No Brasil, Senacon, ANPD e MPF exigiram medidas contra o Grok/X até fevereiro de 2026. O Google responde com remoções por denúncia, rebaixamento de sites e proibições a anúncios de deepfakes desde 2024, mas a FGV cobra ação proativa para prevenir disseminação.

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