Jogos Online Lideram o Lazer de Adolescentes, Aponta Estudo do MEC e Itaú Social

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Flavio Sartori 

Um levantamento realizado pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Itaú Social revela que os jogos online são a atividade de lazer mais frequente entre adolescentes brasileiros fora do ambiente escolar. Os dados, que coincidem com a entrada em vigor do ECA Digital, a nova lei que estabelece um marco jurídico para regular o uso de plataformas online e proteger crianças e adolescentes, sublinham a importância de um debate aprofundado sobre o uso seguro e responsável da internet.

O estudo, que ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, destaca que a preferência por jogos online supera 50% das respostas em diversas regiões do país. No Rio Grande do Sul, por exemplo, 70% dos estudantes do 6º e 7º anos e 63% dos de 8º e 9º anos dedicam-se a jogos online. Em São Paulo, os índices são de 66% para os mais novos e 60% para os mais velhos. Mesmo em estados com menor ocorrência, como o Maranhão (53% e 51%, respectivamente), a atividade permanece como a principal escolha dos adolescentes.

Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, explica o fenômeno: "As pequenas recompensas e a sensação de progressão funcionam como estímulos que potencializam o engajamento e a motivação dos adolescentes nos jogos online. Além disso, esses ambientes oferecem espaços de troca e pertencimento, favorecendo a formação de 'pequenas comunidades' dentro do universo do game, com regras, linguagens e dinâmicas próprias, o que amplia o envolvimento e mantém a atenção do público."

Além dos jogos online, o levantamento também identificou outras atividades de lazer populares entre os adolescentes, como atividades artísticas, treino esportivo coletivo e participação em grupos religiosos, com percentuais que variam entre 26% e 58%, dependendo do estado.

A entrada em vigor do ECA Digital reforça a necessidade de um olhar atento sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual. A discussão ganha ainda mais relevância com eventos recentes, como os protestos na plataforma Roblox, onde a proibição do chat para menores de nove anos gerou um movimento de usuários. A medida visou aumentar a segurança das crianças, restringindo a interação entre o público infantil e adulto.

Sonia Dias alerta para os riscos da navegação desacompanhada: "A internet é uma ferramenta potente e eficiente que promove a aproximação das pessoas e o acesso aos mais diferentes conteúdos. No entanto, caso a navegação não tenha o acompanhamento dos pais, pode se tornar perigosa em um ambiente que pode ser potencialmente danoso para a criança."

Diante desse cenário, a Escola Fundação Itaú oferece o curso gratuito "Prevenção da violência on-line na primeira infância", com materiais de apoio e ferramentas para promover o diálogo sobre o uso saudável das tecnologias. A formação orienta famílias e professores a desenvolverem rotinas seguras e a promoverem discussões sobre sexualidade, autocuidado e autoproteção no ambiente digital.

A partir de janeiro de 2025, o uso de celulares por estudantes será proibido no ambiente escolar, uma medida que visa regular o uso pedagógico e não pedagógico da internet. Contudo, a gerente do Itaú Social ressalta que a proibição não significa o abandono das tecnologias digitais na educação. Pelo contrário, as escolas têm um papel crucial na mediação do uso da internet, fortalecendo a autonomia e a segurança dos estudantes no ambiente virtual.

"Quando falamos sobre o uso da tecnologia na educação, nos referimos a um ambiente com equipamentos (computadores, celulares, tablets) e softwares com padrões de qualidade confiáveis. Além disso, a Inteligência Artificial permite ampliar oportunidades educacionais, promovendo a inclusão social e fortalecendo a cidadania. Ao apoiar iniciativas nessas áreas, é preciso adotar uma postura cuidadosa, que valorize o uso ético e responsável dessas ferramentas dentro e fora da escola", conclui Sonia Dias.

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