O perfil dos motoristas que dirigem por aplicativos como Uber no Brasil é surpreendente: maioria é jovem, chefe de família, com renda principal na atividade e forte interesse em renovar a frota por modelos elétricos mais econômicos. Levantamento encomendado pela Uber ao Datafolha, realizado em 2025 com 1.800 motoristas ativos, mostra que eles priorizam autonomia, mas demandam incentivos para modernizar os veículos usados no dia a dia.
A grande maioria dos motoristas é homem, com idade média de 40 anos, mas uma fatia crescente é de jovens adultos em torno dos 30 anos, muitos deles chefes de família sustentando cerca de duas pessoas dependentes. Para mais da metade, o trabalho em apps é a única ou principal fonte de renda, com ganhos líquidos até dois salários mínimos mensais, o que torna a atividade essencial para o orçamento familiar.
Esses profissionais veem os aplicativos como porta de entrada para o mercado de trabalho flexível, especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo, onde a demanda por mobilidade é alta. Cerca de sete em cada dez pretendem continuar na profissão, valorizando a capacidade de escolher horários e recusar corridas.
Um dos destaques da pesquisa é a renovação dos veículos: grande maioria dos motoristas expressa vontade de trocar o carro atual por modelos mais novos e eficientes, impulsionados por custos operacionais como combustível e manutenção. Muitos já planejam essa transição para aumentar a rentabilidade.
A pesquisa aponta que fatores como idade avançada da frota atual (média acima de 10 anos em muitos casos) e altos gastos com reparos motivam essa demanda por troca, alinhada a uma visão de longo prazo na profissão.
A grande maioria dos motoristas sonha com veículos elétricos como solução ideal para reduzir despesas e atender à sustentabilidade urbana. Segundo o Datafolha, mais de seis em cada dez defendem incentivos para adoção de veículos elétricos, citando economia em combustível (até 70% menor), menor manutenção e isenções fiscais como atrativos.
Essa preferência ganha força em cidades como São Paulo, com restrições crescentes a veículos poluentes e expansão de infraestrutura de recarga. Plataformas como Uber já oferecem bonificações para motoristas que adotam elétricos, o que reforça a tendência para uma frota mais verde e eficiente.
Os dados reforçam a necessidade de políticas que facilitem a transição para veículos elétricos, como linhas de crédito específicas e subsídios para recarga, preservando a autonomia dos motoristas. Com milhões de veículos em circulação, essa modernização poderia cortar emissões de CO2 e baratear corridas, beneficiando usuários e motoristas.
No contexto de debates no STF sobre uberização, o perfil jovem e proativo desses trabalhadores sugere que incentivos à frota elétrica seriam mais bem-vindos que rigidez trabalhista.

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