Atividade do comércio cresce 3,3% em março, puxada por veículos e combustíveis

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Flavio Sartori

O varejo físico brasileiro registrou alta de 3,3% em março de 2026 na comparação com fevereiro, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian. Os segmentos de "Veículos, Motos e Peças" (12,2%) e "Combustíveis e Lubrificantes" (5,1%) lideraram os avanços do período.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o resultado reflete a sensibilidade do indicador a bens duráveis — categoria em que a decisão de compra depende fortemente de financiamento. "O forte avanço em veículos e em material de construção sugere uma retomada mais intensa justamente nesses setores", afirma. Já a alta em combustíveis estaria ligada ao conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços e leva consumidores a antecipar compras como estratégia de proteção.

Além dos destaques positivos, "Material de Construção" avançou 2,2% e "Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática" subiu 0,3%. No campo negativo, "Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas" recuou 1,0% e "Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios" caiu 0,9%.

A economista ressalta que a recuperação do varejo segue desigual. "Alguns setores apresentam avanços expressivos, enquanto outros registram variações moderadas ou retração. Isso indica que não há um avanço consistente e disseminado", explica.

Na comparação com março de 2025, o comércio cresceu 3,9%. "Veículos, Motos e Peças" liderou com expansão de 26%, seguido por "Móveis, Eletrodomésticos e Informática" (3,3%), "Material de Construção" (2,6%) e "Combustíveis e Lubrificantes" (2,3%).

Camila alerta, porém, que parte do crescimento anual é efeito de calendário: o Carnaval de 2025 ocorreu em março, reduzindo os dias úteis naquele mês. Além disso, o cenário segue pressionado por endividamento elevado das famílias, juros altos e desaceleração do crédito — fatores que limitam uma recuperação mais ampla do varejo brasileiro.

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