![]() |
| imagem divulgação |
País sofreu média de 3.711 ataques semanais por organização, impulsionados por ransomware e riscos crescentes com o uso corporativo de IA generativa
O Brasil se consolidou em março de 2026 como um dos principais alvos de ataques cibernéticos no mundo. Segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (16) pela Check Point Research (CPR), divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software, o país registrou média de 3.711 ataques semanais por organização — crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, bem acima da média latino-americana de 9%.
O dado coloca o Brasil em posição de destaque negativo em um cenário global que, na superfície, apresentou leve recuo. Mundialmente, organizações sofreram em média 1.995 ataques por semana em março, queda de 5% frente a março de 2025. Para os pesquisadores, porém, a redução não representa alívio real.
"Os resultados de março podem parecer um respiro, mas os atacantes não recuaram, apenas mudaram de estratégia", afirmou Omer Dembinsky, gerente de pesquisa de dados da Check Point Research. "Conforme a IA generativa se torna uma ferramenta padrão no ambiente de trabalho e os grupos de ransomware mantêm um ritmo operacional constante, as organizações devem se preparar para um cenário em que o risco é contínuo, dinâmico e cada vez mais moldado pela automação."
Entre as regiões monitoradas, a América Latina registrou o maior volume absoluto de ataques, com média de 3.054 ataques semanais por organização e crescimento anual de 9%. A região de Ásia-Pacífico ficou em segundo lugar (3.026 ataques, +4%), seguida pela África (2.722, +22%), Europa (1.647, +7%) e América do Norte (1.384, +8%).
O desempenho do Brasil — com crescimento três vezes superior à média regional — indica uma aceleração relevante no nível de exposição e risco no país, em linha com a expansão da digitalização nas organizações brasileiras.
No recorte setorial, o setor governamental brasileiro foi o mais atacado em março, com 5.698 ataques semanais por organização, seguido por Educação (4.096) e Serviços Financeiros (3.126). A concentração de ataques sobre estruturas públicas e instituições de ensino reflete tanto o volume de dados sensíveis que essas entidades armazenam quanto, em geral, a menor maturidade em cibersegurança em comparação ao setor privado financeiro.
Globalmente, Educação permaneceu como o setor mais atacado, com 4.632 ataques semanais (+6%), seguida por Governo (2.582, +12%) e Telecomunicações (2.554, +10%). O setor de Hospedagem, Viagens e Lazer chamou atenção ao registrar crescimento de 30% na comparação anual — movimento atribuído ao aumento de transações digitais durante as temporadas de viagem de primavera e verão no hemisfério norte, condição frequentemente explorada por cibercriminosos.
Além dos vetores tradicionais de ataque, o relatório aponta a adoção acelerada de inteligência artificial generativa nas empresas como um novo e crescente fator de risco. Em março, 1 em cada 28 prompts enviados a ferramentas de IA em ambientes corporativos apresentou alto risco de vazamento de dados sensíveis — impactando 91% das organizações que utilizam essas ferramentas

Comentários
Postar um comentário