Gartner prevê que maioria das empresas abandonará IA assistiva até 2028

imagem divulgação

Flavio Sartori

Mais da metade das empresas deixará de investir em ferramentas de inteligência artificial assistiva — como copilotos e assistentes inteligentes — até 2028, optando por plataformas que executam tarefas de forma autônoma e entregam resultados diretamente nos fluxos de trabalho. A previsão é do Gartner, uma das principais consultorias globais de tecnologia e negócios.

Segundo a empresa, a mudança representa uma virada arquitetônica: em vez de apoiar humanos na execução de tarefas, a IA passa a ter autoridade delegada para acionar ações em sistemas corporativos, respeitando políticas, permissões e controles de identidade previamente definidos.

Os fluxos de trabalho com alto volume de aprovações e processos sensíveis ao tempo serão os primeiros a sofrer a disrupção. Nesses ambientes, a IA consegue reduzir significativamente a latência nas decisões e redistribuir a autoridade de execução para agentes orientados por regras — sem depender de intervenção humana a cada etapa.

"A autoridade de execução não é um recurso do produto. É uma posição arquitetônica que abrange o controle sobre identidade, permissões, aplicação de políticas, acesso ao sistema de registro e auditabilidade", afirma Alastair Woolcock, Vice-Presidente Analista do Gartner. "Os fornecedores que tratarem a IA como uma camada de aprimoramento correm o risco de se tornarem irrelevantes."

O alerta é especialmente grave para provedores de SaaS e fornecedores independentes de software. De acordo com o Gartner, empresas que simplesmente acoplarem IA a sistemas legados — sem redesenhar sua arquitetura para a chamada execução agêntica — poderão enfrentar uma redução de margem de até 80% até 2030.

Os vencedores serão aqueles que incorporarem a orquestração de agentes diretamente nos sistemas de registro, com APIs sensíveis a políticas e auditabilidade nativa. Já os fornecedores que apostarem em restrições para preservar o controle correm o risco de ser contornados por camadas de orquestração nas quais as empresas confiem mais.

O Gartner reforça que a automação não elimina a presença humana nos processos corporativos. O que muda é a função exercida: o profissional deixa de executar tarefas diretamente e passa a atuar como "Agente Administrador", supervisionando os resultados gerados pelos sistemas inteligentes e definindo os limites dentro dos quais eles operam

Comentários