Um em cada quatro brasileiros ainda não tem cartão de crédito, aponta Serasa Experian

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Flavio Sartori

Apesar de ser o principal meio de pagamento do país, o cartão de crédito segue inacessível para uma parcela significativa da população brasileira. Segundo o "1º Anuário Mosaic Insights", da Serasa Experian, 24,9% dos brasileiros não possuem o produto — e outros 25% têm apenas um cartão. A outra metade (50,1%) já concentra dois ou mais.

O estudo, lançado em março de 2026 pela maior datatech do Brasil, analisa o comportamento do consumidor a partir de perfis que combinam renda, estabilidade financeira e momento de vida. Os dados revelam um mercado dividido entre quem ainda enfrenta barreiras de acesso ao crédito e quem já navega por uma lógica de escolha entre emissores, benefícios e experiência de checkout.

No e-commerce, o cenário também está em transformação. Bancos digitais já respondem por pouco mais de 25% das compras online realizadas com cartão, enquanto grandes bancos — privados e públicos — concentram cerca de 50% das transações digitais. Juntos, esses dois grupos somam 74,87% do volume transacionado no varejo online.

Para a CMO e Vice-Presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, Giovana Giroto, o movimento reforça a necessidade de as marcas revisarem suas estratégias de conversão. "Cartão de crédito não é só meio de pagamento: ele é infraestrutura de consumo. Quando o acesso não é homogêneo e o mercado de emissores se reorganiza, a estratégia de conversão também precisa mudar", afirma.

O anuário também revela que o planejamento financeiro permanece concentrado em uma minoria. Apenas 15% da população brasileira tem alta propensão a produtos de investimento, e somente 9,6% demonstram aderência à previdência privada. O seguro saúde aparece com maior adesão (24,6%), frequentemente percebido como necessidade básica.

O retrato indica que, para a maior parte dos brasileiros, o consumo ainda é orientado pelo "mês a mês", condicionado pela falta de previsibilidade financeira. "Quando apenas uma parcela consegue operar no longo prazo, a conversa sobre consumo muda. Em muitos casos, a decisão não é 'quero ou não quero', é 'eu consigo sustentar?'", pondera Giovana Giroto.

Para as empresas, o recado do estudo é claro: combinar dados de perfil do consumidor, condições transparentes de parcelamento e uma jornada de checkout sem fricções deixou de ser detalhe operacional e passou a ser alavanca direta de resultado.

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