Com celulares mais caros, brasileiros recorrem ao crediário e vendas crescem 21,7% em 2026

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Flavio Sartori

O aumento no preço dos smartphones tem impulsionado mudanças no comportamento de compra dos brasileiros em 2026. Com aparelhos mais caros e maior restrição no crédito tradicional, o parcelamento direto no varejo — o chamado crediário — ganhou força e já registra crescimento relevante no país.

De acordo com projeção da IDC (International Data Corporation), o preço médio global dos smartphones deve subir 14% em 2026, impulsionado principalmente pelo aumento nos custos de chips de memória. O valor médio dos aparelhos deve atingir US$ 523 (cerca de R$ 2.641).

No Brasil, esse cenário tem levado consumidores a buscar alternativas ao cartão de crédito. Levantamento da Top One Financeira, especializada em crediário e crédito no ponto de venda, aponta que as operações voltadas para telefonia cresceram 21,75% no primeiro quadrimestre de 2026, na comparação anual. O ticket médio das compras financiadas foi de R$ 1.854 por aparelho.

O segmento de telefonia representou 7,3% do total de transações realizadas pela empresa no período, evidenciando o peso crescente da categoria no varejo financiado.

Segundo Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One, o avanço do crediário está diretamente ligado ao papel central que o smartphone passou a ocupar na rotina do consumidor. “O celular deixou de ser apenas um item de tecnologia e passou a concentrar funções essenciais do dia a dia, como trabalho, estudo, serviços bancários e comunicação. Com aparelhos mais caros e maior seletividade no crédito tradicional, muitos consumidores passaram a buscar parcelamentos com parcelas fixas e condições mais adequadas ao orçamento mensal”, afirma.

O crescimento do crediário também alterou o perfil das compras financiadas. Dados da Top One mostram que marcas com forte presença no Brasil lideram as vendas parceladas. A Samsung aparece na frente, com 36% das operações, seguida por Apple (25%), Motorola (22%) e Xiaomi (17%).

Além de ampliar o acesso a dispositivos de maior valor, o modelo também traz benefícios para o varejo. O crediário reduz a exposição ao risco de inadimplência, já que a aprovação das operações passa por análise de crédito realizada pela financeira.

No primeiro trimestre de 2026, apenas 33,8% dos clientes elegíveis tiveram crédito aprovado, segundo a empresa. A avaliação considera critérios como renda, nível de endividamento, histórico de pagamento e capacidade de assumir novas parcelas.

Hoje, a aprovação exige mais do que o nome limpo. É preciso demonstrar equilíbrio financeiro e capacidade real de pagamento. Esse cuidado protege o lojista e evita que o consumidor assuma compromissos acima do que pode pagar”, afirma Moraes.

Com a perspectiva de manutenção dos preços elevados dos smartphones e um ambiente de crédito mais restritivo, a tendência é de que o crediário continue ganhando espaço ao longo do ano, especialmente em categorias de maior valor agregado.

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