Ookla aponta avanço do Wi-Fi 6 no mundo, enquanto América Latina ainda depende de tecnologias anteriores

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Flavio Sartori

Um novo levantamento da Ookla, empresa global conhecida pela plataforma Speedtest, revela mudanças importantes no cenário global de conectividade sem fio entre o primeiro trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026. O estudo analisa a evolução da adoção das diferentes gerações de Wi-Fi — do Wi-Fi 4 ao Wi-Fi 7 — e mostra um avanço consistente das tecnologias mais recentes, ainda que de forma desigual entre regiões.

Globalmente, o Wi-Fi 6 ampliou significativamente sua presença, saltando de apenas 6% de participação em 2022 para 27% em 2026. Apesar do crescimento, a tecnologia ainda divide espaço com padrões anteriores: o Wi-Fi 5 segue como dominante, enquanto o Wi-Fi 4, embora em queda, ainda mantém participação relevante.

Já o Wi-Fi 7 aparece de forma incipiente, com menos de 2% de participação global, refletindo um estágio inicial de adoção. Segundo o relatório, a evolução das redes sem fio continua fortemente condicionada ao ciclo de renovação de dispositivos e à disponibilidade de infraestrutura compatível.

No uso de espectro, a banda de 5 GHz se consolida como a mais utilizada no mundo, concentrando quase 60% das conexões. Em contrapartida, a faixa de 6 GHz — fundamental para tecnologias mais avançadas como Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7 — ainda apresenta baixa penetração global, com apenas 1,7% das amostras analisadas.

Um dado relevante do estudo indica que a limitação já não está necessariamente nos dispositivos: mais de 61% dos aparelhos Android testados globalmente são compatíveis com Wi-Fi 6 ou superior, sugerindo que fatores como regulação, oferta de serviços e atualização de redes desempenham papel mais decisivo na adoção.

Na América Latina, o cenário mostra uma transição mais lenta. O Wi-Fi 5 se consolidou como a principal tecnologia da região, passando de 43% de participação em 2022 para 52% em 2026. Ao mesmo tempo, o Wi-Fi 6 cresce, mas ainda de forma moderada, atingindo 13% do mercado.

O Wi-Fi 4, que era dominante há quatro anos, perdeu espaço, mas ainda representa 36% das conexões, evidenciando uma base instalada mais antiga em comparação com mercados mais maduros.

O uso das bandas de frequência também reflete essa transição. A faixa de 5 GHz ganhou relevância, saltando de 46,1% para 63,3% do uso total, enquanto a tradicional banda de 2,4 GHz recuou significativamente. Já a banda de 6 GHz permanece praticamente inexplorada na região, com apenas 0,1% das conexões registradas em 2026.

O estudo destaca ainda disparidades importantes dentro da própria América Latina. Países como Porto Rico (1,1%) e Costa Rica (0,5%) lideram a adoção inicial da faixa de 6 GHz, enquanto grandes mercados como México (0,2%) e Brasil (0,1%) apresentam níveis ainda baixos de utilização. Em várias nações, a adoção permanece inexistente.

Para a Ookla, esses dados indicam que a evolução das redes Wi-Fi na região depende menos da disponibilidade de dispositivos e mais de fatores estruturais, como regulamentação do espectro, investimentos em infraestrutura e estratégias comerciais dos provedores de serviço.

Nesse contexto, a expansão do uso da faixa de 6 GHz e a aceleração da adoção de padrões mais avançados surgem como pontos-chave para melhorar a qualidade da conectividade e viabilizar aplicações mais exigentes em banda larga, como streaming em alta definição, jogos online e soluções de casa conectada.

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