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A pouco mais de dois meses das eleições, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) lançou o documento "O Futuro Não Pode Esperar: Ciência, Educação, Inovação e Soberania para um Projeto Nacional de Desenvolvimento". A publicação reúne diagnósticos e recomendações para oito áreas estratégicas, com o objetivo de contribuir com propostas para candidatos e estimular a formulação de políticas públicas nos próximos anos.
O documento é resultado de uma análise das orientações apresentadas pela ABC ao longo das últimas duas décadas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, organizada em nove capítulos. O primeiro deles avalia propostas de documentos anteriores e conclui que grande parte das orientações permanece atual — especialmente aquelas relacionadas ao fortalecimento da educação, ao financiamento contínuo da ciência e ao incentivo à inovação.
Segundo a Academia, mesmo com avanços importantes nos últimos anos, o país ainda enfrenta entraves estruturais: o investimento em pesquisa e desenvolvimento permanece distante das principais potências econômicas, a inovação empresarial perdeu dinamismo, persistem desigualdades regionais na produção científica, e a formação de pesquisadores sofre com a desvalorização das bolsas e a falta de perspectivas de carreira. Para a ABC, esse cenário reforça a necessidade de garantir continuidade às políticas públicas de ciência, educação e inovação, independentemente dos ciclos de governo.
Os demais capítulos trazem um panorama detalhado para cada área temática, com resumo executivo próprio. Um dos diferenciais da publicação é a seção "Leituras para diferentes atores", que apresenta, ao final de cada capítulo, recomendações específicas para candidatos à Presidência, ao Congresso Nacional e aos governos estaduais, indicando como cada esfera pode contribuir para a implementação das propostas.
Principais propostas do documento:
- Investimento em ciência: elevar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB, garantindo financiamento estável e previsibilidade para universidades, institutos de pesquisa e empresas inovadoras
- Ensino técnico: ampliar a oferta de ensino técnico e profissionalizante, com meta de atender cerca de 50% dos estudantes do ensino médio até 2035, e criar uma rede de colleges técnicos estaduais inspirada em modelos internacionais
- Formação para áreas estratégicas: criar Centros de Formação voltados a setores como inteligência artificial, bioeconomia, saúde digital, agricultura de precisão, materiais avançados e transição energética
- Minerais críticos: instituir política nacional para minerais críticos e estratégicos, conciliando exploração responsável, desenvolvimento tecnológico e agregação de valor à produção brasileira
- Emergência climática: eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis, investir em fontes de energia limpa, zerar o desmatamento na Amazônia e implementar um programa de restauração florestal
- Transição energética: lançar um Programa Nacional Emergencial de Expansão da Rede de Transmissão, instituir marco regulatório para armazenamento de energia, criar política de Estado para hidrogênio verde e recompor o orçamento de CT&I destinado à transição energética
- Saúde e soberania tecnológica: ampliar a capacidade nacional de desenvolver e produzir vacinas, medicamentos e insumos estratégicos, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a autonomia do país em emergências sanitárias
O documento completo, com sumário executivo para cada uma das oito áreas abordadas, está disponível no site da Academia Brasileira de Ciências.

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