Cisco: janela para modernizar redes corporativas antes da era da IA agêntica é de apenas três anos

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

As empresas brasileiras estão correndo contra o tempo. Um novo estudo da Cisco, desenvolvido em parceria com a Foundry Research, mostra que as organizações têm uma janela de até três anos para repensar suas infraestruturas de rede antes que a demanda gerada pela inteligência artificial supere sua capacidade técnica. O cenário é preocupante: mesmo com a metade das empresas globais já operando com ampla implementação de IA generativa, a maioria não investiu no mesmo ritmo em conectividade e segurança.

No Brasil, o alerta é ainda mais urgente do que em outras regiões. Setenta e um por cento dos líderes de TI entrevistados afirmam que suas redes devem atingir o limite máximo de capacidade em apenas dois anos, pressionadas pelo volume crescente de dados trafegados por sistemas inteligentes. Paralelamente, 82% desses executivos reconhecem um paradoxo estratégico: confiam mais nos planos de adoção de IA de suas empresas do que na real capacidade da infraestrutura de sustentar essas iniciativas.

A expansão da chamada IA agêntica é apontada como o principal fator de pressão sobre as redes nos próximos anos. Segundo o levantamento, o tráfego de dados corporativos deve triplicar à medida que essa tecnologia se populariza, já que hoje 97% das organizações mais avançadas planejam ampliar seu uso no biênio seguinte. Esses agentes autônomos operam com alta velocidade e geram fluxos de informação muito mais complexos do que os sistemas tradicionais, o que expõe fragilidades estruturais, especialmente nas redes Wi-Fi, identificadas como o gargalo mais crítico atualmente.

O aspecto da cibersegurança reforça a urgência do problema. No Brasil, 95% dos entrevistados dizem ter dificuldade para acompanhar a velocidade com que as ameaças digitais evoluem com o auxílio da IA, um índice superior à média global de 92%. Já 88% das empresas nacionais afirmam sentir, na prática, os efeitos negativos dessa tecnologia sobre a segurança de seus ambientes. Isso ocorre porque as ferramentas convencionais de monitoramento não conseguem observar com clareza os fluxos de comunicação intensos e dinâmicos característicos da IA agêntica.

Mesmo reconhecendo a gravidade da situação, boa parte das companhias brasileiras enfrenta um obstáculo financeiro para agir. De acordo com o estudo, 91% dos executivos do país citam as restrições orçamentárias como o principal fator que impede a atualização necessária das redes. A pesquisa conclui que, diante desse cenário, a modernização da infraestrutura deixou de ser uma pauta técnica isolada e passou a ocupar um espaço estratégico central nas decisões corporativas ligadas à inteligência artificial.

A pesquisa ouviu 3.472 líderes de TI de organizações com mais de 500 funcionários em regiões como Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio, América Latina e América do Norte, entre março e abril de 2026.

Comentários