Conhecimento e confiança em IA crescem no Brasil, especialmente entre classes de menor renda, aponta Índice Reglab

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

A percepção positiva sobre inteligência artificial registrou o principal avanço na segunda edição do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital. Enquanto a percepção geral dos brasileiros sobre o ambiente digital permaneceu praticamente estável, as ferramentas de IA ampliaram seu reconhecimento entre pessoas de menor renda e ganharam confiança entre os participantes acompanhados nas duas rodadas da pesquisa — a primeira realizada em abril, e esta, inédita, em junho.

Entre os entrevistados das classes D/E, o percentual que declarou conhecer ferramentas de inteligência artificial passou de 79% para 84% em apenas três meses. O aumento de 5 pontos percentuais foi o maior avanço registrado por uma classe social em qualquer uma das cinco categorias avaliadas pelo estudo.

Já entre os participantes que responderam às duas edições do levantamento (20% da amostra), a confiança na IA aumentou 3,1 pontos percentuais. No mesmo período, o índice geral variou apenas 1,1 ponto — dentro da margem esperada de flutuação. "Trata-se de um movimento importante em tecnologias numa fase intensa de difusão, e as próximas rodadas mostrarão se esses sinais se consolidam como uma tendência", afirma Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab.

O Índice Reglab mede percepção e conhecimento declarado, não frequência de uso — uma pessoa pode conhecer uma ferramenta sem utilizá-la, formando sua avaliação a partir de publicidade, notícias ou conversas cotidianas.

Entre as plataformas avaliadas, o Claude apresentou o maior crescimento individual de reconhecimento, passando de aproximadamente 72% para 77%. ChatGPT e Gemini, por sua vez, já registram níveis de conhecimento próximos aos das principais plataformas digitais do país.

"A inteligência artificial está se tornando parte do repertório cotidiano de grupos sociais mais amplos. Isso não significa que as barreiras de acesso ou uso foram superadas, mas mostra que a categoria já não circula apenas entre públicos especializados", explica Thaís Palanca, pesquisadora do Reglab e uma das autoras do estudo.

Apesar do avanço na confiança em IA, o índice geral permaneceu estável entre o primeiro e o segundo trimestres de 2026 — período marcado pela entrada em vigor do ECA Digital, pelo avanço das discussões sobre regulação de IA e concorrência digital, e pela transmissão da Copa do Mundo em plataformas digitais.

A proteção de adolescentes continua sendo a dimensão com menor percepção de segurança e maior desigualdade entre os grupos pesquisados:

  • A diferença de confiança entre as classes A/B e C/D/E chega a 8,6 pontos percentuais
  • Mulheres apresentam percepção de confiança quase 6 pontos percentuais inferior à dos homens nessa dimensão

"A aprovação de uma lei não muda imediatamente a percepção dos usuários. O resultado não permite avaliar a efetividade do ECA Digital, cuja implementação ainda está no início, mas estabelece uma linha de base para acompanhar se as novas regras produzirão efeitos perceptíveis ao longo do tempo", pondera Ramos.

O Índice Reglab é o primeiro indicador brasileiro que mede, de forma sistemática e periódica, como os usuários percebem a confiança e a segurança nas plataformas digitais que utilizam no dia a dia. A segunda edição ouviu 1.103 pessoas adultas conectadas à internet entre 15 e 30 de junho de 2026, a partir de um painel conduzido pela Offerwise.

O levantamento avaliou 24 plataformas distribuídas em cinco categorias — redes sociais, streaming e entretenimento, economia de plataforma (aplicativos de transporte), inteligência artificial e governo digital — analisadas em quatro dimensões: confiança geral, integridade da informação, proteção de dados e proteção de adolescentes. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro geral de 3 pontos percentuais.

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