Golpista não tira férias: especialista alerta para aumento de fraudes financeiras no meio de ano

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

O turismo acelera, as compras online para o inverno se multiplicam e os boletos de taxas sazonais chegam às caixas de entrada. Para o cidadão, este é um período de planejamento e lazer. Para os criminosos digitais, no entanto, a temporada de meio de ano representa uma verdadeira "alta estação" para aplicar golpes — e, munidos de novas tecnologias, eles se tornam cada vez mais persuasivos.

A segunda edição do relatório "A Jornada dos Golpes", produzido pelo Observatório Lupa e divulgado em junho de 2026, dimensiona o problema. Ao analisar 115 conteúdos fraudulentos virais que circularam no país entre maio de 2024 e abril de 2026, a pesquisa identificou um padrão claro por trás das fraudes.

Principais achados do levantamento:

  • 71% dos golpes prometiam alguma vantagem financeira
  • 74% exploravam a credibilidade de empresas ou personalidades famosas
  • O Pix apareceu como único meio de pagamento em cerca de um terço das fraudes
  • 66% dos golpistas partiram de informações verdadeiras para construir narrativas enganosas
  • O WhatsApp foi o canal de disseminação em quase 65% dos casos analisados

Entre as fraudes que mais se destacam neste período estão cobranças falsas de pedágios enviadas por SMS ou WhatsApp, ofertas de pacotes turísticos com preços irresistíveis e a clonagem de sites de instituições financeiras para a suposta "regularização de férias". O elo entre esses golpes costuma ser o Pix: os criminosos exploram a agilidade e a instantaneidade da ferramenta para cobrar taxas de liberação, impostos ou valores para "desbloquear" benefícios que nunca chegarão.

A sofisticação não para por aí. Ao combinar fatos reais — como reportagens ou comunicados oficiais — com recursos de inteligência artificial que geram áudios e vídeos falsos de pessoas conhecidas, os golpistas tornam a identificação da fraude cada vez mais difícil para o cidadão comum.

Para Ricardo Malaquias, Diretor de Estratégia, Cobrança e Operações da Simplic, plataforma de empréstimo pessoal 100% online, a prevenção começa com desconfiança diante de qualquer oferta fora do comum. "Sempre que receber uma cobrança inesperada, ainda mais por mensagem, evite tomar decisões imediatas. Nenhuma empresa séria pede pagamento de pedágio ou taxa de regularização por um link enviado no WhatsApp".

Segundo Malaquias, o cálculo é simples: o prejuízo de cair em um golpe supera de longe qualquer vantagem prometida. "Pare, pense e verifique a fonte. O valor que você pode perder em uma fraude é muito maior do que o 'desconto' que está sendo prometido", complementa.

O especialista reforça ainda que instituições sérias nunca cobram adiantado para liberar crédito ou desbloquear veículos. "O custo de uma freada brusca no planejamento financeiro por causa de um golpe é alto. A melhor forma de se proteger é sempre checar a informação no site oficial da empresa ou pela central de atendimento, e nunca pagar algo que você não contratou", pondera.

Diante da popularização da IA e da circulação de conteúdos enganosos, especialmente pelo WhatsApp, a recomendação central é a verificação em duas etapas antes de qualquer ação:

  • Não clique em links suspeitos recebidos por mensagem
  • Confirme os dados do boleto ou recebedor antes de pagar
  • Verifique a autenticidade da oferta no site oficial da empresa
  • Ligue para a central de atendimento em caso de dúvida
  • Nunca pague por algo que não foi contratado

A regra de ouro, segundo o especialista, vale para qualquer época do ano: se a promessa de dinheiro fácil ou de uma viagem dos sonhos parecer boa demais para ser verdade, é porque provavelmente é.

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