Impressoras entram no radar da cibersegurança corporativa em meio ao avanço de ataques a dispositivos conectados

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Flavio Sartori

A segurança da informação deixou de ser uma preocupação restrita a computadores e servidores. Com o avanço de ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados, as impressoras passaram a ser reconhecidas como endpoints críticos dentro das redes corporativas, ampliando a necessidade de monitoramento, controle e proteção contínua desses dispositivos.

Segundo o relatório Print Security Landscape 2025, da consultoria Quocirca, 56% das empresas analisadas sofreram algum tipo de perda de dados relacionada à impressão no último ano, enquanto 83% afirmam que devem ampliar os investimentos em proteção de dados nessa área. O levantamento reforça uma mudança relevante na agenda corporativa: dispositivos antes tratados como periféricos precisam agora ser incorporados às políticas de segurança, monitoramento e governança de TI.

O estudo também identifica que ambientes de impressão com múltiplos fabricantes tendem a elevar a complexidade operacional e os riscos de segurança, especialmente pela dificuldade de manter políticas, atualizações e monitoramento padronizados em toda a infraestrutura. Uma multifuncional moderna, por exemplo, pode funcionar tanto como porta de entrada quanto como ponto de vazamento de dados.

O tema também ganhou espaço nas avaliações do setor de tecnologia. No IDC MarketScape 2025-2026, a segurança da impressão aparece como componente relevante das estratégias de Zero Trust — modelo que exige validação contínua de acessos, usuários e dispositivos em ambientes híbridos. O estudo destaca fornecedores capazes de combinar hardware seguro, softwares especializados e serviços gerenciados como diferencial competitivo nesse cenário.

A padronização do parque de impressão passou a ser vista como um mecanismo importante de segurança. Ambientes fragmentados, com diferentes fabricantes, podem dificultar a aplicação uniforme de políticas de proteção e ampliar brechas operacionais. Já um parque padronizado e gerenciado de forma centralizada permite respostas mais rápidas diante de vulnerabilidades ou comportamentos suspeitos — um fator cada vez mais relevante à medida que as redes corporativas se tornam mais complexas e distribuídas.

Para reduzir riscos nos ambientes de impressão, a recomendação do setor é tratar esses dispositivos como parte da infraestrutura crítica de TI, com políticas claras de acesso e monitoramento. O objetivo é evitar que impressoras sem visibilidade adequada se tornem pontos de entrada para ataques, movimentação lateral na rede ou vazamento de informações sensíveis.

Entre as práticas recomendadas para aumentar a proteção dos ambientes de impressão estão:

  • Controlar acessos e permissões de uso, definindo políticas por usuário, equipe ou área e revisando permissões periodicamente
  • Monitorar atividades e restringir usos fora do padrão, usando ferramentas de controle capazes de identificar comportamentos suspeitos
  • Integrar a impressão à estratégia de segurança de TI, combinando suporte técnico, gestão remota e recursos como autenticação por crachá ou biometria, registro de atividades e relatórios detalhados de uso

O avanço da segurança nesse tipo de ambiente depende da combinação entre tecnologia, processos e gestão contínua. Não basta contar com equipamentos mais modernos se a empresa não tem visibilidade sobre quem acessa os dispositivos, como eles são usados e se estão devidamente atualizados — a proteção precisa fazer parte da rotina operacional das organizações.

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