Sensedia lança AI Foundation para tirar empresas do "purgatório dos pilotos" de IA

Valesca Felix Caetano, Head de Consultoria na Sensedia. Crédito: Divulgação.

Flavio Sartori

Nova oferta combina engenheiros embarcados e metodologia proprietária para acelerar a implementação de agentes inteligentes em ambientes corporativos com governança e segurança

Depois de um ciclo marcado pela experimentação com IA generativa, as empresas passam a enfrentar um novo desafio: colocar agentes inteligentes em produção e integrá-los aos processos de negócio com segurança, governança e escalabilidade. Para apoiar essa transição, a Sensedia lança o AI Foundation, uma oferta que combina consultoria especializada em IA — através do modelo Forward Deployed Engineer (FDE) —, metodologia proprietária e engenheiros embarcados para acelerar a implementação e a operação de agentes de IA em ambientes corporativos.

Segundo pesquisa realizada pela Sensedia em parceria com a MIT Sloan Management Review Brasil e a Squadra, 66,2% das organizações já consideram a IA uma prioridade estratégica. Apesar disso, apenas 7,4% conseguiram integrá-la de forma ampla às operações.

O resultado é o chamado Pilot Purgatory (purgatório dos pilotos), termo usado para descrever iniciativas que permanecem restritas à fase de testes, sem alcançar escala ou gerar impacto efetivo para o negócio.

Sem uma base estrutural de governança, as empresas enfrentam custos elevados, dificuldade para comprovar o ROI dos investimentos em IA e riscos crescentes de segurança. O estudo mostra que 31% dos profissionais técnicos trabalham sem mecanismos estruturados de gestão de riscos e de controle de acesso dos agentes de IA aos dados corporativos, cenário que amplia significativamente a exposição a vulnerabilidades.

Para enfrentar esse cenário, o AI Foundation oferece uma abordagem estruturada para implementação de agentes inteligentes em escala e adota o modelo Forward Deployed Engineer (FDE), no qual especialistas da Sensedia atuam diretamente junto às equipes dos clientes durante toda a implantação e escala das soluções.

Ainda pouco difundido no mercado brasileiro, o FDE foi inspirado em um formato utilizado por grandes empresas globais de tecnologia e reúne profissionais com experiência em IA, APIs, grandes modelos de linguagem (LLMs) e protocolos modernos, como o Model Context Protocol (MCP). O objetivo é acelerar o desenvolvimento, o go-live e a adoção efetiva das soluções.

Os projetos seguem uma sequência estruturada:

  • Diagnóstico de maturidade tecnológica, avaliando arquitetura, integrações, modelos utilizados, casos de uso e oportunidades de evolução
  • Implementação dos componentes necessários para sustentar a operação dos agentes, incluindo gerenciamento de credenciais, monitoramento de custos e políticas de segurança
  • Integração entre agentes inteligentes, APIs e sistemas legados

Como parte dessa arquitetura, o Sensedia AI Gateway funciona como uma camada central de governança, permitindo administrar, em um único plano de controle, aplicações baseadas em APIs e agentes inteligentes.

Para sustentar essa estratégia, a companhia também está ampliando a capacitação de seu time de consultoria e espera que 80% dos profissionais da área estejam preparados para atuar em projetos de IA até o final do terceiro trimestre deste ano.

Mais do que disponibilizar tecnologias para governança de IA, o AI Foundation entrega a base necessária para que as empresas coloquem projetos em produção com segurança e escala. O modelo contempla todas as etapas da jornada, do discovery ao go-live, estruturando arquitetura, governança, controle de acessos, observabilidade e gestão de custos. Essa fundação permite acelerar a adoção da IA nas operações e criar as condições para capturar ganhos de eficiência e retorno sobre os investimentos.

Segundo a Sensedia, a abordagem pode:

  • Acelerar entre 60% e 80% o tempo necessário para colocar novos agentes em produção
  • Reduzir entre 70% e 90% o esforço de integração de novas aplicações ao ambiente corporativo

Essa eficiência abre caminho para que agentes inteligentes sejam disponibilizados como produtos digitais para parceiros e ecossistemas de clientes por meio da infraestrutura de APIs já existente, criando novas oportunidades de monetização para os negócios.

"O que vemos hoje é uma corrida pela adoção de IA, com múltiplos projetos e agentes acontecendo em paralelo. O ponto de atenção é que, sem uma fundação de governança, segurança e gestão de custos, essas iniciativas dificilmente saem do piloto e chegam à produção com sustentabilidade. O FDE é quem constrói essa ponte na prática: um especialista embarcado no cliente que transforma experimentação em capacidade real de negócio", afirma Valesca Felix Caetano, Head de Consultoria na Sensedia.

Ainda segundo a executiva, o mercado entra em uma nova fase de maturidade, em que a infraestrutura e a governança passam a determinar o sucesso dos projetos.

"A corrida para experimentar IA ficou para trás. O desafio agora é construir uma infraestrutura capaz de operar agentes inteligentes com integração, segurança, governança e eficiência. Assim como APIs, nuvem e dados exigiram novas camadas de gestão, a IA também passa a demandar uma plataforma capaz de conectar modelos, aplicações e processos de negócio de forma escalável. A governança deixará de ser um diferencial para se tornar um requisito essencial da transformação digital", conclui.

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