85% dos pais brasileiros temem que a IA seja usada para criar imagens ou conversas falsas de seus filhos, revela Norton

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

Um novo estudo da Norton, marca da Gen, mostra que a parentalidade digital no Brasil entra em uma nova era, marcada por riscos que a tradicional "conversa séria" sobre segurança online ainda não cobre por completo. Segundo o relatório Norton Insights: Connected Kids, 85% dos pais e responsáveis por crianças menores de 18 anos no país temem que a inteligência artificial seja usada para criar imagens ou conversas falsas envolvendo seus filhos — percentual bem acima da média global de 75% registrada pela mesma pesquisa.

O levantamento revela uma tensão central: 89% dos pais brasileiros afirmam se sentir confortáveis para conversar com os filhos sobre os riscos do ambiente online, mas 49% não estão confiantes de que as próprias crianças consigam distinguir um conteúdo gerado por IA de um conteúdo real. Ainda assim, a maioria (59%) já adotou alguma medida para reduzir riscos relacionados à IA, como restringir o uso de aplicativos, monitorar atividades online ou conversar especificamente com os filhos sobre o tema.

"Os pais passaram anos ensinando seus filhos a reconhecer estranhos na internet, mas a IA muda a natureza do que significa 'perigo' no ambiente online", afirma Iskander Sanchez-Rola, Diretor Sênior de IA e Inovação na Norton. "Desde o uso indevido e a alteração de fotos publicadas ou compartilhadas, até bots de IA que atuam como cibercriminosos ou se passam por fontes confiáveis, existem riscos completamente novos, e isso significa que pais e responsáveis precisam atualizar a forma como conversam com seus filhos sobre segurança online."

Entre os pais cujos filhos já sofreram cyberbullying, 29% afirmam que o agressor utilizava um perfil falso ou se passava por outra pessoa, e 14% dizem que o agressor era uma conta ou um bot gerado por inteligência artificial. Quando o assunto são imagens, o risco tem crescido de forma acelerada: criminosos usam cada vez mais fotos geradas por IA ou identidades falsas para conquistar a confiança dos mais jovens, ou manipulá-los para compartilhar imagens reais que depois são usadas em esquemas de sextorsão financeira.

O cenário se conecta a um problema já documentado no país: levantamento da SaferNet identificou quase 50 mil denúncias de abuso infantil relacionadas a deepfakes e IA generativa no Brasil até 2025, com aplicativos capazes de gerar imagens hiper-realistas e animações com vozes e rostos de menores, que circulam rapidamente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Os pais identificam salas de bate-papo online (20%) como a plataforma que mais os preocupa, seguida pelo Discord (18%) e pelos jogos online (15%), à frente até do TikTok (11%). Mas os comportamentos relatados pelos próprios pais revelam uma realidade diferente sobre onde os riscos realmente se acumulam. Entre os 67% de pais cujos filhos menores de 18 anos jogam games online com chat:

  • 61% dizem que seus filhos conversaram com um estranho por chat de voz ou texto.
  • 33% dizem que seus filhos receberam mensagens inadequadas ou ofensivas.
  • 29% dizem que seus filhos foram incentivados a sair do jogo e continuar a conversa em outra plataforma.

"Os recursos de conversa presentes nos jogos são, muitas vezes, onde ocorre a real exposição, e tendem a ser menos visíveis para os pais e responsáveis do que o uso das redes sociais", comenta Sanchez-Rola. "Quando uma criança deixa uma plataforma de jogos online e migra para um aplicativo de mensagens privadas porque alguém pediu isso, essa escalada pode ser difícil de detectar, e as crianças podem não reconhecer isso como algo que vale a pena mencionar."

Os dados revelam uma tensão consistente entre a confiança relatada pelos pais e os comportamentos que as crianças realmente apresentam. Apesar dos 89% que dizem se sentir confortáveis para falar sobre riscos online, ao mesmo tempo:

  • 40% relatam que os filhos usam o dispositivo depois da hora de dormir ou de um horário determinado.
  • 22% relatam que os filhos acessaram uma plataforma de rede social ou site que acreditavam ter bloqueado.
  • 13% relatam que os filhos compartilharam informações privadas ou dados pessoais com um estranho.
  • 14% relatam que os filhos assistem a conteúdo explícito.

A diferença entre o conforto relatado pelos pais e esses comportamentos não significa que as conversas não estejam acontecendo, mas sugere que ter o diálogo é apenas parte da equação.

A pesquisa aponta para uma mudança mais ampla na parentalidade: conversas que antes se concentravam em estranhos, senhas e tempo de tela agora precisam incluir imagens geradas por IA, falsificação de identidade digital, relacionamentos online e pensamento crítico em um mundo em que ver já não significa necessariamente acreditar. Para ajudar as famílias a navegar por esses temas, a Norton lançou o "The Bots & The Bees", novo recurso educacional com orientação especializada, conselhos práticos e materiais de apoio.

O relatório completo Norton Insights: Connected Kids está disponível no site da Norton e traz descobertas adicionais sobre exigências de idade mínima em redes sociais, preocupações específicas por plataforma e orientações para famílias que lidam com riscos relacionados à IA. O Norton 360 oferece ferramentas para monitorar atividade online, definir limites de tempo de tela, filtrar conteúdo e proteger informações pessoais em diferentes dispositivos.


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