Alpargatas registra o melhor segundo trimestre de sua história, com EBITDA de R$ 286 milhões

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Flavio Sartori

A Alpargatas, controladora da Havaianas, encerrou o segundo trimestre de 2026 com o melhor resultado para o período em toda a sua série histórica, impulsionada pela combinação de crescimento acelerado no Brasil e recuperação gradual da operação internacional. O EBITDA da companhia somou R$ 286 milhões, com avanço de margens e geração de caixa positiva.

A receita líquida consolidada de Havaianas alcançou R$ 1,2 bilhão no trimestre, crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, com alta de 9% no volume de pares vendidos, totalizando 53,3 milhões de unidades entre Brasil e exterior. O resultado consolida uma trajetória de recordes trimestrais consecutivos da marca, que já havia registrado o maior EBITDA trimestral de sua história no primeiro trimestre de 2026, também puxado pelo forte desempenho doméstico e pela recuperação internacional.

Para Liel Miranda, CEO da Alpargatas, o desempenho reflete a maturação da estratégia adotada nos últimos anos. "Os resultados registrados consolidam a efetividade das iniciativas implementadas e das decisões tomadas nos últimos anos. O crescimento no Brasil, somado à recuperação gradual e estruturada da operação internacional de Havaianas, demonstra a consistência da nossa estratégia e reforça nossa confiança na capacidade da companhia de seguir evoluindo a partir de uma base mais sólida e preparada", destaca o executivo.

A companhia registrou lucro bruto de R$ 691 milhões, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com margem bruta de 56,3%, expansão de 1,6 ponto percentual. A geração de caixa foi de R$ 74 milhões no trimestre, enquanto os investimentos em projetos prioritários somaram R$ 54 milhões, dentro do plano anual de R$ 243 milhões.

As ativações de marca foram um pilar importante da estratégia global no trimestre. A campanha "Molho Brasileiro", protagonizada pelo embaixador global Vini Jr., reforçou a brasilidade como ativo-chave e ganhou escala no Brasil e em mercados internacionais durante a Copa do Mundo. Além do esporte, a marca ampliou presença nos universos da moda e da cultura pop com coleções exclusivas, como a colaboração com a grife Isabel Marant e a linha inspirada no filme O Diabo Veste Prada, conectando-se a diferentes perfis de consumidores em escala global.

No mercado doméstico, Havaianas registrou crescimento de 17% na receita líquida em relação ao mesmo período do ano anterior — avanço puxado por alta de 9% no volume de vendas, totalizando 45,6 milhões de pares, e aumento de 7% na receita por par, favorecido pela melhora do mix de produtos em todos os canais.

A operação nacional apresentou forte ritmo de sell-out (+13%), com ganho de 2,1 pontos percentuais em market share no canal alimentar, impulsionado pela introdução bem-sucedida da nova coleção. A rentabilidade no país atingiu recordes históricos para um segundo trimestre, com margem bruta de 48% e margem EBITDA de 20%, reflexo da evolução em eficiência operacional — com OTIF (On-Time-In-Full) de 83,5%, disciplina de despesas e produtividade fabril, que compensaram o maior volume de investimentos em marketing ligados à Copa do Mundo.

A operação internacional também avançou no trimestre, com receita líquida de R$ 406 milhões e crescimento de 12% no volume de pares vendidos, totalizando 7,7 milhões de unidades. Na Europa, a marca registrou alta de 21% em volume (4,4 milhões de pares), resultado direto de uma execução comercial mais ajustada e da recomposição da credibilidade junto aos clientes — região que já vinha em trajetória positiva havia seis trimestres consecutivos.

Nos Estados Unidos, a transição para o novo modelo de negócios segue avançando, com expansão relevante no sell-through, permitindo que o acumulado do primeiro semestre atingisse alta de 40% em volume. Já nos mercados distribuidores (APAC, MEA e América Latina), o volume retomou crescimento, com expansão de 12%, à exceção de alguns mercados no Oriente Médio impactados por eventos geopolíticos locais. Com isso, o EBITDA da operação internacional atingiu R$ 117 milhões, com margem EBITDA de 29% — o melhor nível histórico da companhia para o período, sustentado por uma estrutura fabril e comercial mais enxuta.

Segundo Liel Miranda, a disciplina de capital foi determinante para esse avanço. "Mantivemos uma alocação rigorosa de capital e investimentos estratégicos em marketing, como as ativações para a Copa do Mundo, que reforçam a brasilidade e a liderança de Havaianas. Na frente internacional, o avanço na Europa e a consolidação do novo modelo de negócios nos Estados Unidos mostram que estamos no caminho certo para construir uma operação global mais saudável, rentável e sustentável", completa o executivo.

A marca americana Rothy's, também controlada pela Alpargatas, registrou receita líquida de US$ 62 milhões no trimestre, redução de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, explicada principalmente pelo desempenho do e-commerce. A margem bruta atingiu 67%, expansão de seis pontos percentuais na comparação anual, beneficiada pelo reembolso referente a tarifas cobradas sobre produtos importados da China. O EBITDA trimestral foi de US$ 7 milhões, revertendo o resultado negativo registrado no trimestre anterior.

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