Apenas 12,3% da Geração Z tem alto nível de educação financeira, mas são os que mais recorrem à IA para decidir sobre dinheiro

imagem gerada por IA

Flavio Sartori 

Um novo levantamento da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, revela um paradoxo geracional na relação entre tecnologia e dinheiro: quanto mais jovem o público, maior o uso de inteligência artificial para orientação financeira, porém menor o domínio de conceitos básicos como juros compostos, inflação e diversificação de risco.

O estudo Financial literacy pays: Smarter investing goes beyond AI ouviu mais de 8.000 pessoas em oito países — Áustria, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. No total da amostra, apenas 17,5% dos respondentes atingem o nível alto de educação financeira, enquanto 25,9% ficam no nível baixo.

Entre os jovens, o cenário é mais preocupante: só 12,3% da Geração Z alcançam alto conhecimento financeiro, contra 22,2% dos Baby Boomers. A disparidade também aparece por gênero dentro da própria geração: mulheres jovens registram o pior resultado entre todos os grupos demográficos do estudo, com apenas 9,6% atingindo o nível alto de literacia e 39,8% no nível baixo.

O uso geral de ferramentas de IA já é expressivo entre os entrevistados: 48,1% afirmam usá-las pelo menos uma vez por semana, número que salta para 77,1% entre a Geração Z. Quando o recorte é especificamente sobre orientação financeira, apenas 14,1% do total de respondentes citam a IA como uma de suas principais fontes de conselho — mas entre a Geração Z esse percentual sobe para 26,1%, e entre os Millennials chega a 21,6%.

O uso também varia por gênero entre os mais jovens: 30,9% dos homens jovens recorrem à IA como fonte principal de orientação financeira, contra 22,7% das mulheres jovens.

O dado mais relevante do estudo para o debate sobre IA e finanças pessoais é o descompasso entre confiança e conhecimento real. Usuários de IA para conselhos financeiros se declaram mais seguros sobre seu próprio conhecimento do que quem não a utiliza: 42,5% se avaliam como "na média" ou "acima da média", contra 33,3% do total de entrevistados. Porém, quando medido o conhecimento efetivo, apenas 18,1% dos usuários dessas ferramentas atingem o nível alto de literacia financeira — um resultado muito próximo dos 17,5% da amostra geral.

Para os economistas responsáveis pelo estudo, isso indica que a IA está reduzindo barreiras de acesso à informação financeira, mas não está necessariamente formando pessoas mais capacitadas para avaliar essa informação. O relatório aponta o risco de um viés de excesso de confiança, sobretudo entre usuários com menor conhecimento financeiro, que tendem a tratar a IA como substituta — e não complemento — da orientação profissional.

Segundo os autores, para famílias com maior nível de literacia financeira a IA pode complementar o aconselhamento profissional, tornando a informação mais acessível e fácil de processar. Já para o público com menor conhecimento, a tecnologia corre o risco de reforçar decisões equivocadas, ao fornecer respostas que a pessoa não tem repertório para avaliar criticamente.

O estudo também mostra que a intenção de poupar é maior entre os mais jovens: 53% da Geração Z e 35% dos Millennials pretendem economizar mais, contra apenas 19% da Geração X e 11% dos Baby Boomers. Os jovens também têm o maior apetite por investimentos em mercado de capitais, que representam 44% das alocações pretendidas pela Geração Z e 42% pelos Millennials, ante 30% da Geração X e 24% dos Baby Boomers.

Entre as recomendações do estudo está o desenvolvimento de uma educação financeira que ensine as pessoas não apenas a acessar informação, mas a julgar sua qualidade, reconhecendo quando é necessário buscar aconselhamento profissional e entendendo os limites da IA como ferramenta de apoio, não de substituição. Nessa linha, a Allianz mantém a School For Life, plataforma digital gratuita de educação financeira e de risco, com trilhas de aprendizagem adaptadas a diferentes fases da vida, de crianças a jovens adultos.

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