Ataques de ransomware disparam em julho e atingem maior volume dos últimos 12 meses, aponta Cohesity

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Flavio Sartori

Julho de 2026 registrou o maior volume de ataques de ransomware no mundo nos últimos 12 meses. Foram 955 vítimas globais, um salto de 33,9% em comparação a junho, superando o antigo pico de 881 ocorrências registrado em dezembro de 2025. Os dados são do Ransomware.live, plataforma de monitoramento contínuo de vazamentos liderada pela Cohesity.

No cenário nacional, o Brasil contabilizou 26 vítimas de sequestro e extorsão de dados em julho, três a mais do que no mês anterior. Com o resultado, as organizações brasileiras já somam 120 ataques sofridos apenas em 2026. Apesar do número absoluto de casos no país, o Brasil passou da terceira para a sexta colocação no ranking global — mudança que reflete uma explosão de ocorrências em outras regiões: Espanha e Turquia, por exemplo, saltaram de zero vítimas em junho diretamente para o Top 10 mundial em julho.

A queda de posição do Brasil no ranking não significa alívio na pressão sobre o país: em junho, a nação havia sido o terceiro território mais atacado do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha, e outros levantamentos recentes mostram o país como epicentro regional de ataques ao setor de saúde na América Latina, concentrando 51% das ocorrências da região nesse segmento.

"Esse aumento no Brasil acompanha uma escalada global agressiva que não está concentrada em uma única região. O ransomware se tornou um risco crítico de paralisação de negócios", analisa Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina. "A alta atividade de ameaças em julho é um alerta de que as defesas tradicionais estão sendo burladas. Hoje, a prioridade das empresas deve ser a resiliência: garantir que, se forem atacadas, consigam recuperar seus dados rapidamente e com segurança, sem ceder ao pagamento de resgates."

O mercado B2B continuou sendo o alvo preferencial dos cibercriminosos, com 176 vítimas (alta de 25,7%), seguido pelo setor de manufatura, com 152 casos (alta de 34,5%). No entanto, o relatório destaca uma aceleração especialmente preocupante em dois setores estratégicos: os ataques à indústria de tecnologia cresceram 68%, somando 126 ocorrências, enquanto o setor de serviços financeiros viu um salto de 72,4%, chegando a 50 vítimas.

Na contramão do movimento geral, a agricultura e produção de alimentos foi o único segmento entre os dez mais atingidos a apresentar queda no mês, de 5,1%, com 37 ataques.

Os Estados Unidos seguem como o país mais afetado de forma isolada, com 318 vítimas — um aumento de 59% em relação ao mês anterior, correspondendo a quase metade do crescimento global do período. Alemanha (58) e Reino Unido (39) ocuparam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente, seguidos por Canadá (32), Itália (30) e Brasil (26).

O panorama de julho reforça uma tendência já identificada por outros levantamentos do setor: dados independentes apontam alta de 49% no número de vítimas de ransomware globalmente no mês, acompanhada de crescimento geral de 16% nos ataques cibernéticos em relação ao mesmo período do ano anterior, com a América Latina permanecendo como a região mais visada do mundo em volume de ataques por organização.

Histórico de vítimas nos últimos 12 meses

  • Julho de 2026: 955 vítimas.
  • Junho de 2026: 713 vítimas.
  • Maio de 2026: 700 vítimas.
  • Abril de 2026: 791 vítimas.
  • Março de 2026: 785 vítimas.
  • Fevereiro de 2026: 845 vítimas.
  • Janeiro de 2026: 869 vítimas.
  • Dezembro de 2025: 881 vítimas.
  • Novembro de 2025: 717 vítimas.
  • Outubro de 2025: 839 vítimas.
  • Setembro de 2025: 598 vítimas.
  • Agosto de 2025: 530 vítimas.

Setores mais afetados em julho (vs. junho)

  • Mercado B2B: 176 vítimas (+25,7%).
  • Manufatura: 152 vítimas (+34,5%).
  • Tecnologia: 126 vítimas (+68%).
  • Saúde: 85 vítimas (+54,5%).
  • Varejo e e-commerce: 70 vítimas (+11,1%).
  • Serviços financeiros: 50 vítimas (+72,4%).
  • Outros: 46 vítimas (+100%).
  • Agricultura e produção de alimentos: 37 vítimas (-5,1%).
  • Governo e defesa: 37 vítimas (+37%).
  • Transportes: 37 vítimas (+42,3%).

Países mais afetados em julho

  • Estados Unidos: 318 vítimas.
  • Alemanha: 58 vítimas.
  • Reino Unido: 39 vítimas.
  • Canadá: 32 vítimas.
  • Itália: 30 vítimas.
  • Brasil: 26 vítimas.
  • Índia: 24 vítimas.
  • Espanha: 24 vítimas.
  • França: 24 vítimas.
  • Turquia: 22 vítimas.

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