Banco do Brasil é pioneiro global em diretrizes para IA generativa e agêntica

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Flavio Sartori

O Banco do Brasil se tornou a primeira instituição financeira do mundo a estruturar e publicar diretrizes específicas para inteligência artificial generativa e IA agêntica. A iniciativa evolui o Guia de Diretrizes e Boas Práticas para IA Ética e Responsável, lançado em 2025 — quando o BB já havia se tornado o primeiro banco da América Latina a dar transparência pública a esse tipo de política, e o primeiro do mundo a ter uma política de governança em IA aprovada pela própria governança institucional.

As novas diretrizes estabelecem parâmetros para certificação de modelos, uso seguro de dados, aplicação de mecanismos de proteção, definição de níveis de autonomia, rastreabilidade, governança de agentes e responsabilidade sobre decisões automatizadas. O conjunto também prevê procedimentos formais de avaliação, aprovação e monitoramento ao longo de todo o ciclo de vida das soluções de IA.

Entre os aspectos contemplados estão mecanismos de interrupção de agentes, definição de autonomia faseada com supervisão humana em situações críticas e restrições para utilização de IA generativa em ambientes que envolvam dados sensíveis. O modelo busca garantir que a evolução tecnológica esteja associada a critérios de governança, segurança, transparência e responsabilidade institucional.

Para Marisa Reghini, vice-presidente de negócios digitais e tecnologia do Banco do Brasil, a evolução do modelo reflete a forma como a instituição incorpora a inteligência artificial à sua estratégia de transformação digital. "A inteligência artificial amplia nossa capacidade de gerar valor para clientes, funcionários e negócios. Ao estabelecer diretrizes específicas para IA generativa e IA agêntica, o Banco do Brasil reforça a importância de combinar inovação, gestão de riscos, transparência e responsabilidade em todas as etapas do ciclo de vida das soluções. A tecnologia evolui rapidamente e a governança precisa acompanhar esse movimento, oferecendo segurança para que a inovação avance de forma consistente", avalia a executiva.

A evolução das diretrizes faz parte de uma estratégia de governança integrada de dados, modelos e inteligência artificial. O banco vem ampliando as capacidades do Gaia, plataforma de gestão de ativos de dados e IA, que incorpora processos de catalogação, avaliação de risco, monitoramento contínuo e rastreabilidade para soluções de inteligência artificial, incluindo assistentes inteligentes e aplicações baseadas em IA generativa.

Parte dessa arquitetura de governança foi desenvolvida em colaboração com IBM e EY: a EY trouxe seu ciclo de vida de IA generativa e frameworks de monitoramento contínuo, definindo funções, responsabilidades e pontos de verificação claros ao longo de todo o processo, enquanto a IBM implementou essa estratégia por meio da plataforma watsonx.governance, introduzindo processos rigorosos de benchmarking de modelos, mitigação de vieses e avaliações de vulnerabilidades.

A adoção da inteligência artificial também ganha escala dentro da organização. No primeiro semestre de 2026, o BB superou a marca de 2,3 mil soluções catalogadas, incluindo mais de 1,4 mil modelos de inteligência artificial tradicional, generativa e agentes inteligentes aplicados a atividades de atendimento, crédito, risco e eficiência operacional.

Entre as iniciativas de disseminação da tecnologia, o banco mantém plataformas corporativas específicas para desenvolvimento e uso de IA generativa, incluindo o Genera BB, ambiente interno voltado à criação de assistentes inteligentes com requisitos de governança, segurança e conformidade. Um exemplo prático dessa lógica é a Ari, assistente de IA generativa voltada a pequenas e médias empresas, que passou a contar com um agente de IA próprio responsável por curar e validar seus insights antes do envio ao público, substituindo gradualmente a curadoria totalmente humana adotada inicialmente.

O investimento em pessoas acompanha a expansão do uso da inteligência artificial. A edição de 2026 do AcademIA BB, programa corporativo de disseminação do conhecimento em inteligência artificial, registrou mais de 36 mil inscritos em trilhas de capacitação voltadas a IA generativa, IA agêntica, dados e analytics — parte de uma estratégia que já havia levado o banco a investir mais de R$ 41 milhões em programas de capacitação apenas entre 2024 e 2025.

Atualmente, o Banco do Brasil opera mais de 12 mil agentes baseados em Copilot, além de outros assistentes inteligentes aplicados a atividades internas, negócios e atendimento. A estratégia combina evolução tecnológica, desenvolvimento humano e governança para ampliar a utilização da inteligência artificial em processos corporativos e na prestação de serviços financeiros.

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