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O Brasil registrou o segundo maior crescimento na produção de autoveículos entre os principais mercados globais em 2026, ficando atrás apenas da Índia. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a produção brasileira cresceu 8,3% no acumulado de janeiro a julho, enquanto a indústria indiana avançou 14,5%.
Além de Brasil e Índia, apenas o Japão apresentou resultado positivo no período, com alta de 2,9%. Estados Unidos e China tiveram retração na produção no primeiro semestre, de 11,7% e 4%, respectivamente.
Em julho, a indústria nacional fabricou 253,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, crescimento de 3,1% sobre junho e de 5,9% na comparação com julho de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o país produziu cerca de 1,62 milhão de veículos.
“É um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
As concessionárias fecharam julho com 279,5 mil emplacamentos, o maior volume mensal de 2026. O número representa alta de 2,6% em relação a junho e de 14,9% sobre julho do ano passado.
De janeiro a julho, os emplacamentos superaram 1,7 milhão de unidades, avanço de 17,9% sobre o mesmo período de 2025. Apesar do volume elevado, a média diária de vendas recuou para 12,2 mil unidades, já que julho teve 23 dias úteis, ante 21 em junho.
Ainda assim, a média ficou bem acima das 10,6 mil unidades por dia registradas em julho de 2025. O ritmo sustenta a previsão da Anfavea de alta de 12,1% nas vendas totais de veículos ao longo de 2026.
Os veículos eletrificados — elétricos e híbridos — representaram 23,5% de todos os emplacamentos do país em julho, participação recorde. Um ano antes, esses modelos respondiam por menos de 11% das vendas.
O destaque foi o desempenho dos veículos totalmente elétricos, que alcançaram 25,8 mil emplacamentos no mês, o maior número já registrado pela série histórica do setor. No acumulado de 2026, as vendas de eletrificados cresceram 120,8%.
A participação crescente desses veículos também evidencia a pressão dos modelos importados no mercado brasileiro. Segundo a Anfavea, boa parte dos eletrificados vendidos no país vem do exterior.
Enquanto a produção e as vendas domésticas avançam, a balança comercial do setor apresenta um contraste. Entre janeiro e julho, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos, alta de 25,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A China mais que dobrou seus embarques para o Brasil, com crescimento de 105,4% no período. O México também elevou as exportações ao mercado brasileiro em 23,8%.
“O volume de quase 350 mil veículos importados é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos”, afirmou Calvet.
O avanço dos importados ocorre sobretudo no segmento de eletrificados, que ganhou participação nas vendas com modelos chineses e de outras origens.
As exportações de veículos tiveram uma leve recuperação em julho, quando 39,3 mil unidades foram embarcadas, alta de 6,8% em relação a junho. No acumulado do ano, porém, os envios ao exterior ainda caem 20,8%.
A queda é puxada principalmente pela Argentina, principal destino dos veículos brasileiros. As exportações para o país vizinho recuaram 35,4% no período. Com exceção da Colômbia, os embarques para os demais mercados latino-americanos também apresentaram redução.
O segmento de caminhões registrou o melhor resultado mensal do ano em julho, com 11,7 mil unidades emplacadas. O desempenho foi impulsionado por linhas de financiamento associadas ao programa federal Move Brasil.
No acumulado, contudo, os registros de caminhões somam 60,6 mil unidades, queda de 7,2% sobre 2025. A diferença é menor do que no início do ano, quando a retração superava 30%.
Os ônibus permanecem como o segmento de pior desempenho da indústria em 2026. As vendas acumuladas chegaram a 12,5 mil unidades, baixa de 10,7%. A Anfavea atribui parte do resultado às dificuldades na execução do programa Caminhos da Escola, voltado à renovação da frota de transporte escolar.

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