Brasil registra quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre, aponta Serasa Experian

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Flavio Sartori

O Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil e líder em soluções antifraude. Entre janeiro e junho, foram identificados 2.860.957 alertas durante processos de entrada de novos clientes e validação de identidade para a contratação de serviços — volume 32,9% superior ao registrado nos seis primeiros meses de 2025.

O volume equivale a uma tentativa de fraude a cada 5,5 segundos e considera exclusivamente ocorrências identificadas durante processos de cadastro e validação de identidade, também conhecidos como onboarding. No período, as tecnologias antifraude evitaram um prejuízo potencial de R$ 3,77 bilhões, o equivalente a mais de R$ 20 milhões protegidos, em média, por dia.

"Os números mostram que a pressão dos fraudadores começa antes mesmo de uma conta, um crédito ou um serviço ser liberado. Quando uma identidade falsa ou dados de terceiros passam pela etapa de cadastro, o criminoso pode ganhar acesso a diferentes produtos e ampliar o prejuízo. Por isso, a validação de identidade precisa combinar segurança, precisão e agilidade desde o primeiro contato do cliente com a empresa", afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, Leandro Bartolassi.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o "Varejo" apresentou o maior avanço no volume de tentativas de fraude de identidade, com alta de 120,7% — o maior crescimento entre todos os setores analisados. "Telefonia" também registrou avanço expressivo, de 51,4%, seguida por "Serviços", com 40,2%.

Apesar do avanço mais acentuado em outros segmentos, o setor financeiro permaneceu como o principal concentrador das ocorrências no primeiro semestre de 2026. As três frentes que o compõem no levantamento — "Meios de pagamento", "Bancos e Cartões" e "Financeiras" — responderam, juntas, por 61,1% das tentativas identificadas. "Meios de pagamento" liderou individualmente, com 42,6% do total, seguido por "Telefonia", com 22,1%.

"A fraude de identidade não está restrita às instituições financeiras. Ela pode ocorrer na contratação de uma linha telefônica, na abertura de uma conta, na solicitação de crédito, no credenciamento de um estabelecimento ou no cadastro para acessar diferentes serviços. Com a migração de mais jornadas para o ambiente digital, cresce também a necessidade de validar identidades por meio de diferentes camadas de proteção", explica o diretor da datatech.

Entre as datas comemorativas analisadas pelo Mapa da Fraude no primeiro semestre de 2026, o Dia dos Namorados apresentou a maior taxa de risco, com índice 22,2% superior à média registrada no semestre — a cada 100 validações de identidade realizadas na data, mais de duas apresentaram indícios de tentativa de fraude (2,42%). Na sequência aparecem o Dia das Mães, com taxa 11,6% acima da média semestral, e o Ano Novo, 5,1% superior.

O levantamento também dimensiona o impacto financeiro das tentativas identificadas pelas tecnologias antifraude. No Carnaval, R$ 17,1 milhões em prejuízos potenciais foram evitados, o maior valor entre as datas analisadas, seguido pelo Dia das Mães, com R$ 16,2 milhões, e pela Páscoa, com R$ 14,5 milhões.

"Os fraudadores adaptam suas abordagens ao contexto de cada data comemorativa e exploram elementos como senso de urgência, apelo emocional e aumento da procura por produtos e serviços. Em períodos de celebração, o consumidor pode estar mais propenso a clicar em links, compartilhar informações ou concluir cadastros sem verificar todos os sinais de segurança. Por isso, essas ocasiões exigem atenção redobrada dos consumidores e uma atuação preventiva das empresas, com tecnologias capazes de identificar inconsistências desde a validação de identidade", analisa Bartolassi.

Na análise geracional, o Mapa da Fraude desafia a percepção de que as fraudes de identidade se concentram principalmente entre pessoas mais velhas. A Geração Z apresentou a maior participação nas ocorrências identificadas em processos de cadastro e validação de identidade, com cerca de 505 mil ocorrências, alta de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025 — superando Geração X e Millennials.

O avanço das tentativas também foi mais acentuado entre gerações com forte presença econômica e digital. Na Geração Z, o volume cresceu quase 30%, enquanto entre a Geração X e os Millennials a alta ficou próxima de 19%. A maior presença das gerações mais jovens pode estar associada à expansão das jornadas digitais e ao acesso a produtos como contas, cartões e crédito, inclusive entre consumidores que estão iniciando sua relação com o sistema financeiro.

"Existe uma percepção de que as pessoas mais velhas são sempre o principal alvo das fraudes, mas os dados mostram que os criminosos direcionam suas tentativas para diferentes gerações, especialmente aquelas com maior atividade econômica e digital. No caso da Geração Z, a entrada no sistema financeiro, com a abertura das primeiras contas, o acesso ao crédito e a contratação de novos serviços, amplia as possibilidades de relacionamento com empresas, mas também cria novos pontos de atenção. Isso não significa que uma geração seja mais vulnerável, mas que os fraudadores acompanham os públicos e as jornadas com maior potencial de exploração", completa o executivo da Serasa Experian.

O Sudeste concentrou 31,7% das tentativas de fraude de identidade registradas no primeiro semestre de 2026, a maior participação entre as regiões, com 844,3 mil ocorrências. O Nordeste apareceu em seguida, com 16,3% (433,6 mil), enquanto Sul, Norte e Centro-Oeste responderam por menos de 10% cada, com 216,2 mil, 149,3 mil e 162 mil ocorrências, respectivamente.

Ainda assim, na comparação com o mesmo período de 2025, todas as regiões registraram aumento no volume de tentativas. O Nordeste apresentou a maior alta, de 14%, seguido de perto pelo Sudeste, com 13,8%.

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