Busca por crédito no Brasil cresce 16,5% em junho, e famílias de baixa renda lideram demanda, aponta Serasa Experian

demanda de crédito - Fonte : Serasa Experian

Flavio Sartori

A procura dos brasileiros por crédito registrou alta de 16,5% no acumulado dos últimos 12 meses até junho de 2026, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. O levantamento mostra que a demanda cresce em ritmo mais acentuado entre as famílias de menor renda, reforçando o papel do crédito como instrumento de sobrevivência financeira, e não apenas de consumo.

Entre as faixas de rendimento, os consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos apresentaram a maior alta no acumulado de 12 meses, com expansão de 35,2%. Na sequência aparecem os que ganham até 1 salário mínimo (18,1%), depois os de 5 a 10 salários mínimos (16,1%) e os que recebem acima de 10 salários mínimos (12,9%). Já a faixa de 2 a 5 salários mínimos permaneceu em retração, com queda de 1,5%.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a composição da demanda reforça que o mercado de crédito continua refletindo um ambiente macroeconômico desafiador. "O avanço mais intenso da demanda por crédito entre os consumidores de menor renda mostra que, nesse segmento, a necessidade de acesso ao crédito continua prevalecendo mesmo em um ambiente de custo elevado. Isso reforça que, para muitas famílias, o crédito está menos associado ao consumo discricionário e mais à administração do orçamento doméstico e à manutenção das despesas essenciais", explica a executiva.

Na análise por unidades federativas, a procura por crédito cresceu em todo o país nos últimos 12 meses, ainda que em intensidades distintas. Mato Grosso liderou o ranking nacional, com alta de 29,9%, seguido por Acre (24,8%) e Roraima (24,4%). Também se destacaram Amapá (22,6%), Mato Grosso do Sul (22,1%) e Rio Grande do Sul (22,1%).

Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (11,4%), Santa Catarina (12,8%) e São Paulo (13,2%) — estados que, mesmo com o menor ritmo de expansão relativa, seguem entre os polos mais consolidados do sistema de crédito nacional.

Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda por crédito cresceu 14,8%. O recorte por renda repete o padrão observado no indicador acumulado: consumidores com rendimento de 1 a 2 salários mínimos tiveram a maior expansão, de 50,8%, enquanto os que ganham de 2 a 5 salários mínimos cresceram 7,4% e os de 5 a 10 salários mínimos, 2,7%. As demais faixas apresentaram retração no comparativo mensal.

Segundo Camila Abdelmalack, o comportamento da demanda por crédito entre as famílias de baixa renda tem uma face de risco embutida. "As famílias de menor renda tendem a estar mais expostas às modalidades de crédito rotativo, que concentram algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado. Em momentos de dificuldade financeira, o peso desses encargos pode comprometer uma parcela significativa da renda disponível, elevando o risco de inadimplência. Esse cenário contribui para uma desaceleração no ritmo das concessões, à medida que as instituições financeiras adotam uma postura mais cautelosa diante do aumento do risco de crédito", afirma a economista.

Ainda assim, para a executiva, o movimento reflete a centralidade do crédito na vida financeira dos brasileiros. "A demanda segue em trajetória de crescimento, evidenciando que, para uma parcela importante dos brasileiros, o crédito continua desempenhando um papel essencial na gestão do orçamento, do fluxo de caixa das famílias e na antecipação da capacidade de consumo para fazer frente às despesas do dia a dia", conclui Camila.

Ficha do indicador (12 meses até junho de 2026)

  • Demanda geral por crédito: alta de 16,5%.
  • Renda de 1 a 2 salários mínimos: alta de 35,2% (maior variação entre as faixas).
  • Renda de até 1 salário mínimo: alta de 18,1%.
  • Renda de 5 a 10 salários mínimos: alta de 16,1%.
  • Renda acima de 10 salários mínimos: alta de 12,9%.
  • Renda de 2 a 5 salários mínimos: retração de 1,5%.
  • Maiores altas por estado: Mato Grosso (29,9%), Acre (24,8%) e Roraima (24,4%).
  • Menores altas por estado: Distrito Federal (11,4%), Santa Catarina (12,8%) e São Paulo (13,2%).

O Indicador Serasa Experian da Demanda dos Consumidores por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de CPFs consultados mensalmente na base de dados da companhia, especificamente em transações que configuram relação creditícia entre consumidores e instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras. A quantidade de CPFs consultados é transformada em número índice, com média de 2024 igual a 100, e o indicador é segmentado por unidade federativa e por classe de rendimento mensal

Comentários