Com receita global de US$ 1 bilhão, Zoho acelera expansão no Brasil e aposta em IA contextual

Rodrigo Vaca - CEO da Zoho Brasil divulgação

Flavio Sartori

A Zoho, multinacional indiana especializada em software como serviço (SaaS), fechou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 31,4% na receita no Brasil em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho colocou o país como o terceiro mercado que mais cresceu para a companhia no mundo no período, enquanto em novas receitas provenientes da entrada de usuários o Brasil ficou na oitava posição global.

O resultado reforça a importância que o Brasil vem adquirindo na estratégia internacional da companhia. Fundada há 30 anos, a Zoho possui receita anual global próxima de US$ 1 bilhão e valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 12,5 bilhões — patamar alcançado após um 2025 de crescimento consistente, quando a empresa superou a marca de um milhão de clientes em todo o mundo e mais de 150 milhões de usuários, com expansão de 32% na base global de clientes e de 20% na receita.

Para Rodrigo Vaca, CEO da Zoho no Brasil, o avanço no país reflete uma mudança mais profunda na forma como as empresas brasileiras encaram a adoção de tecnologia. "O Brasil deixou de ser um mercado em que simplesmente replicamos uma estratégia global. É um mercado que exige entendimento próprio, investimento local e uma visão de longo prazo. Quando olhamos para o crescimento que estamos registrando, vemos que existe uma combinação entre a maturidade das empresas brasileiras para adotar tecnologia e a nossa capacidade de adaptar a oferta às necessidades locais", afirma Vaca.

A estratégia da Zoho ganha relevância em um momento de transformação do mercado de tecnologia. A disseminação da inteligência artificial generativa tem levado empresas a rever investimentos em software, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão por produtividade, integração de sistemas e retorno sobre investimentos tecnológicos.

Para a companhia, a IA tende a acelerar essa transformação, mas não necessariamente substituirá as plataformas existentes. A empresa vem incorporando recursos de inteligência artificial ao portfólio e desenvolvendo modelos próprios, incluindo Small Language Models (SLMs) e o Zia LLM, modelo de linguagem proprietário lançado em 2025 junto com mais de 25 agentes de IA prontos para implementação. Segundo Vaca, a companhia vê a IA como uma nova onda de evolução tecnológica, comparável a transformações anteriores provocadas pelo smartphone e pelas lojas de aplicativos.

A evolução do Brasil acontece em uma operação que a Zoho trata de maneira diferenciada dentro da América Latina, com presença própria no país concentrada principalmente em Florianópolis (SC), onde mantém sua sede local. Já em 2024, Vaca classificava o Brasil como região estratégica e independente dentro da estrutura global da companhia, destacando o tamanho do mercado, a diversidade de setores e o potencial de expansão da base de clientes.

"O Brasil tem uma característica muito particular: é um mercado grande, sofisticado e extremamente diverso. Existe uma oportunidade enorme tanto nas pequenas e médias empresas quanto nas grandes corporações. O nosso desafio é continuar construindo confiança e mostrar que tecnologia não precisa significar complexidade", afirma o executivo.

A companhia aposta em um modelo de plataforma integrada, reunindo diferentes aplicações de negócios em um mesmo ecossistema — proposta que permite que empresas comecem a utilizar uma solução específica e, posteriormente, ampliem a adoção para outras áreas. Entre os clientes brasileiros da companhia estão nomes como Creditas e Editora Globo, que utilizam as soluções da Zoho para integrar operações, ganhar escala e apoiar decisões estratégicas.

A entrada da inteligência artificial também altera o processo de decisão de CIOs e executivos de negócios. Nesse cenário, a Zoho conta com a Zia, sua própria plataforma de inteligência artificial, desenvolvida para trabalhar de forma integrada às diferentes aplicações do ecossistema da companhia. Em vez de funcionar como ferramenta genérica, a proposta é que a IA utilize o contexto e os dados disponíveis nos sistemas das empresas para apoiar tarefas, análises e decisões de maneira mais aderente à realidade de cada negócio.

Embora tenha tecnologia própria, a Zoho não se posiciona como fornecedora de IA. A estratégia da companhia é incorporar recursos de inteligência artificial ao portfólio de soluções que já oferece, sem transformar a tecnologia em produto isolado para comercialização — na prática, a IA funciona como uma camada adicional de inteligência dentro das aplicações. É o conceito de IA contextual defendido pela companhia: uma inteligência que não apenas gera respostas, mas conhece o ambiente em que está sendo utilizada e consegue aplicar esse conhecimento às necessidades do negócio.

A companhia também aposta na possibilidade de integração de diferentes modelos de inteligência artificial de fornecedores externos às suas aplicações, como OpenAI e Google Gemini, buscando dar maior flexibilidade aos clientes e evitar que a adoção de IA fique restrita a uma única tecnologia.

Com o desempenho do primeiro semestre, a companhia pretende acelerar a expansão no Brasil, principalmente por meio da ampliação da base de clientes, do relacionamento com parceiros e do fortalecimento da marca no mercado corporativo. A estratégia inclui tanto pequenas e médias empresas quanto organizações de maior porte — para estas últimas, a Zoho aposta em uma entrada gradual, começando por aplicações específicas e expandindo posteriormente para outras áreas da organização.

"O resultado do primeiro semestre mostra que estamos no caminho certo, mas ainda estamos muito longe de onde podemos chegar. O Brasil tem potencial para ser um dos mercados mais relevantes da Zoho globalmente. Nosso foco agora é transformar esse potencial em crescimento sustentável, mantendo a proximidade com os clientes e entendendo cada vez melhor as particularidades do mercado brasileiro", afirma Vaca.

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