Juros do empréstimo pessoal caem em agosto, mas taxa anual ainda supera 158%, aponta Procon-SP

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Flavio Sartori

A taxa média de juros do empréstimo pessoal apresentou queda em agosto, passando de 8,50% para 8,23% ao mês, uma redução de 0,27 ponto percentual, segundo pesquisa realizada pelo Procon-SP. Apesar do recuo, o patamar mensal ainda equivale a uma taxa de 158,42% ao ano — nível historicamente elevado para a modalidade.

O levantamento, que acompanha as taxas praticadas por seis instituições financeiras, mostra que a redução da taxa média foi influenciada principalmente pelas quedas registradas no Bradesco e no Banco do Brasil. No Bradesco, a taxa caiu de 8,83% para 7,47% ao mês, recuo de 1,36 ponto percentual. No Banco do Brasil, a queda foi de 7,43% para 7,20% ao mês, redução de 0,23 ponto percentual.

As demais instituições pesquisadas — Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander — mantiveram suas taxas em relação ao mês anterior. A diferença entre a menor e a maior taxa cobrada entre os bancos chega a 2,79 pontos percentuais, evidenciando a disparidade de custo entre as instituições para o mesmo tipo de crédito.

A pesquisa considerou as taxas máximas pré-fixadas destinadas a clientes pessoa física não preferenciais, independentemente do canal de contratação. Para o empréstimo pessoal, foi considerado contrato com prazo de 12 meses; para o cheque especial, período de 30 dias. As taxas foram coletadas em 4 de agosto de 2026.

No cheque especial, a taxa média permaneceu em 8% ao mês. Todas as instituições pesquisadas mantiveram suas taxas no mesmo patamar registrado no mês anterior.

O levantamento destaca que o Banco Central, por meio da Resolução nº 4.765, de 27 de novembro de 2019, estabeleceu limite de 8% ao mês para a cobrança de juros do cheque especial para pessoa física. A medida entrou em vigor em 6 de janeiro de 2020 e, desde então, funciona como um teto que a maioria dos bancos aplica de forma cheia, sem espaço para variação relevante entre instituições.

A queda observada em agosto de 2026 contrasta com o movimento predominante ao longo do ano. Em dezembro de 2025, o mesmo levantamento do Procon-SP havia identificado que os juros do empréstimo pessoal atingiram o maior nível em quase três décadas, impulsionados pela Selic a 15%. Dados do Banco Central também mostram que a taxa média de juros do crédito pessoal não consignado seguiu em trajetória de alta ao longo do primeiro semestre, saltando de 120,3% ao ano em maio para 127,3% ao ano em junho de 2026 — um avanço de 7 pontos percentuais em apenas um mês, com a modalidade sem garantias atingindo médias de até 149,5% ao ano.

O Procon-SP orienta que o empréstimo pessoal deve ser utilizado apenas em situações de emergência ou para substituir dívidas com juros ainda mais altos. Antes de contratar qualquer modalidade de crédito, o consumidor deve pesquisar e comparar as condições oferecidas pelas instituições financeiras.

Há linhas de crédito que podem apresentar condições mais favoráveis, especialmente para aposentados, servidores públicos, consumidores que tenham restituição de Imposto de Renda a receber ou aqueles cuja empresa possua convênio para crédito consignado. Avaliar essas alternativas pode reduzir significativamente o custo da dívida.

Taxas de empréstimo pessoal por instituição (agosto de 2026)

  • Banco do Brasil: 7,20% ao mês (queda de 0,23 p.p.).
  • Bradesco: 7,47% ao mês (queda de 1,36 p.p.).
  • Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander: taxas mantidas em relação a julho.
  • Taxa média geral: 8,23% ao mês (queda de 0,27 p.p.).

Diferença entre menor e maior taxa: 2,79 pontos percentuais.

O relatório completo pode ser consultado no site do Procon-SP.

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