Mais de 80% dos estudantes de inglês estão travados no nível básico, revela relatório da BeConfident
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| imagem gerada por IA |
Um novo levantamento da BeConfident revela que 80,6% dos estudantes de inglês permanecem nos níveis iniciante (A1) ou básico (A2) — um retrato que contraria a ideia de que dominar a gramática do idioma seria suficiente para alcançar fluência real.
O Report de Proficiência em Inglês da BeConfident foi construído a partir da análise de 2.758.318 usuários cadastrados, incluindo 1.637.424 testes de nivelamento concluídos e 47.159.468 registros de palavras aprendidas, coletados entre 2023 e abril de 2026. Com usuários distribuídos em diferentes países, mas composta majoritariamente por brasileiros, a análise se consolida como uma das maiores iniciativas de inteligência de dados já aplicadas ao aprendizado de idiomas na América Latina.
A classificação de proficiência utilizada no estudo segue o padrão internacional CEFR (Common European Framework of Reference for Languages), que categoriza os alunos entre os níveis A1 e C2 — do iniciante ao proficiente.
O estudo mostra que apenas 19,3% dos estudantes atingem o nível intermediário (B1), considerado o patamar mínimo para comunicação profissional em muitos contextos. Menos de 0,1% alcança os níveis avançados de proficiência (B2 ou superior).
O dado mais revelador está na comparação entre habilidades: enquanto a média de desempenho em gramática entre os usuários avaliados foi de 91 pontos em uma escala de 100 — um resultado sólido —, a média de vocabulário ficou em apenas 55 pontos.
"Os resultados mostram que o problema não está necessariamente no conhecimento formal da língua. Os números sugerem que muitos estudantes compreendem regras e estruturas gramaticais, mas encontram dificuldades para construir repertório e utilizar o idioma em situações reais de comunicação", avalia o CEO da BeConfident, Robson Amorim.
No recorte sobre dificuldades de aprendizagem, a BeConfident identificou que os maiores obstáculos para evolução no idioma estão ligados à comunicação oral. A principal barreira apontada foi a pronúncia correta (22%), seguida por gramática (16,3%), expansão de vocabulário (14,6%), disciplina e consistência (14,4%), falta de alguém com quem praticar (12,5%), dificuldade para entender nativos (12,3%) e falta de tempo (8,4%).
"A combinação entre dificuldades de pronúncia, receio de errar e ausência de parceiros de conversação forma uma espécie de 'tríade da paralisia', que impede muitos alunos de transformar aprendizado passivo em fluência prática", analisa Robson.
Ao contrário da percepção de que aplicativos de idiomas atraem predominantemente mulheres, a base de alunos da BeConfident apresenta equilíbrio quase absoluto entre os gêneros: 50,2% são mulheres e 49,8% são homens.
O que muda significativamente são as motivações para aprender inglês. Entre os homens, quase metade (48,5%) afirma estudar o idioma para impulsionar a trajetória profissional, participar de negociações internacionais ou acessar melhores oportunidades de trabalho.
Já entre as mulheres, embora "carreira" também apareça como motivação relevante (34,8%), o principal diferencial está em objetivos ligados à mobilidade internacional: 31,6% estudam inglês para viagens, contra 24,7% dos homens. As mulheres também apresentam maior interesse em intercâmbios e experiências acadêmicas internacionais, com 11,9% citando estudo no exterior, ante 9,9% dos homens.
A análise de mais de 2,5 milhões de conversas realizadas na plataforma mostra que o aprendizado está fortemente concentrado no período noturno. Os horários mais movimentados são as 22h (261.496 conversas), meia-noite (224.247 conversas) e 23h (216.667 conversas). Já os menores volumes foram observados entre 6h e 7h da manhã. Entre os dias da semana, a terça-feira apresentou o maior volume de prática, enquanto o domingo registrou a menor atividade.
"O comportamento sugere que o estudo do idioma foi incorporado como uma atividade complementar à rotina profissional e familiar, concentrando-se principalmente entre o fim do dia e o horário de descanso", explica o CEO da BeConfident.
Ao contrário da percepção de que plataformas digitais de aprendizagem são dominadas por jovens estudantes, os dados da BeConfident mostram uma realidade bastante diferente. A análise revela que 61,4% dos usuários possuem mais de 35 anos, enquanto apenas 5,7% estão na faixa de 18 a 25 anos. O maior grupo da plataforma é composto por usuários entre 36 e 45 anos, que representam sozinhos 40,1% da amostra, seguido pelas faixas de 46 a 55 anos (21,3%) e 26 a 35 anos (20,8%).
"Os números sugerem uma mudança importante no perfil de quem busca aprender inglês atualmente. Em vez de estudantes universitários ou recém-formados, o idioma passou a ser uma demanda crescente entre profissionais já inseridos no mercado, muitas vezes ocupando posições de liderança, gestão ou especialização técnica. Para esse público, o inglês deixou de ser apenas um diferencial curricular e passou a representar uma competência necessária para acompanhar um ambiente de negócios cada vez mais internacionalizado, digital e competitivo", analisa Robson.
O estudo também analisou a relação entre idade e proficiência, identificando diferenças relativamente pequenas entre as gerações. Os melhores resultados aparecem entre usuários de 26 a 35 anos, faixa em que 29% atingem níveis intermediários ou superiores (B1+). Já entre os usuários com mais de 55 anos, esse percentual é de 22,9%.
Outro dado que chama atenção é a evolução gradual do percentual de iniciantes: enquanto 36,1% dos usuários de 26 a 35 anos estão no nível A1, esse percentual sobe para 40,9% entre aqueles com mais de 55 anos — indicando que a idade influencia o ritmo de progresso, mas não impede que profissionais mais maduros avancem no idioma quando mantêm disciplina de estudo.

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