Operação internacional liderada pela Chainalysis gera 14,3 mil pistas para combater redes de abuso sexual infantil
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| imagem gerada por IA |
Uma operação internacional liderada pela Chainalysis, empresa de análise de blockchain, reuniu autoridades, empresas do setor privado e organizações especializadas para transformar inteligência sobre o uso de criptomoedas em redes de material de abuso sexual infantil (CSAM) em pistas concretas para investigações. Batizada de Operation Lighthouse, a iniciativa gerou 14,3 mil pistas investigativas, identificou mais de 7,7 mil contas suspeitas e apontou suspeitos relacionados a CSAM em 125 países.
Ao todo, foram investigados 29.120 endereços de criptomoedas e identificadores digitais, além de mais de 100 plataformas, fóruns e redes de distribuição de CSAM presentes tanto na internet aberta quanto na dark web. Embora as criptomoedas sejam utilizadas em apenas uma pequena parcela das atividades relacionadas a CSAM, seu uso cresceu nos últimos anos — a própria Chainalysis já havia identificado, em 2025, um dos maiores sites de CSAM em operação na dark web, que recebeu mais de US$ 530 mil em pagamentos por meio de mais de 5.800 endereços desde julho de 2022. Por outro lado, a transparência das blockchains públicas permite que investigadores rastreiem fluxos de criptomoedas associados a plataformas, vendedores e consumidores, conectando atividades on-chain a suspeitos no mundo real.
A Operation Lighthouse foi criada pela Chainalysis para transformar informações já existentes sobre movimentações de criptomoedas relacionadas a CSAM em pistas investigativas acionáveis. Após meses de enriquecimento de dados, a iniciativa culminou em uma operação intensiva de vários dias no National Cyber-Forensics and Training Alliance (NCFTA), em Nova York, onde investigadores de diferentes continentes trabalharam em conjunto para identificar consumidores, vendedores, operadores de marketplaces e administradores ligados a esse tipo de atividade.
A inteligência de blockchain foi combinada a dados de parceiros e suporte investigativo para identificar atividades suspeitas e apoiar o avanço de investigações e procedimentos legais. As pistas geradas envolveram 11 exchanges de criptomoedas e serviços de pagamento, enquanto parceiros do setor privado identificaram, entre as contas suspeitas, 16 pessoas já registradas como criminosos sexuais.
A operação reuniu mais de nove agências de aplicação da lei, mais de 13 parceiros do setor privado e organizações sem fins lucrativos especializadas. Entre os participantes estavam Europol, Australian Federal Police, Royal Canadian Mounted Police, National Crime Agency (Reino Unido), além de exchanges como Binance e Coinbase, a empresa de pagamentos Block e a Internet Watch Foundation.
A colaboração permitiu combinar informações disponíveis em blockchain com dados do setor privado, investigações conduzidas por autoridades e conhecimento de organizações especializadas. Apenas dois dos parceiros do setor privado envolvidos na iniciativa identificaram, juntos, mais de 150 indivíduos — a própria Binance, por exemplo, ajudou a identificar 120 contas ligadas à rede Kidflix em investigações anteriores relacionadas ao tema.
Para as autoridades, esse modelo amplia a visibilidade sobre atividades on-chain que podem contribuir para identificar suspeitos e investigar redes transnacionais. Empresas podem utilizar indicadores e padrões identificados para detectar e remover atividades associadas a CSAM de suas plataformas, enquanto organizações especializadas contribuem com conhecimento e evidências para conectar atividades on-chain a vítimas e infratores no mundo real. É importante ressaltar que os resultados divulgados representam, neste momento, principalmente pistas investigativas — não necessariamente pessoas já acusadas ou condenadas.
Além dos resultados já obtidos, a Operation Lighthouse foi concebida como um modelo de colaboração que pode ser replicado em futuras iniciativas. Segundo a Chainalysis, os resultados devem continuar evoluindo à medida que as pistas produzidas avancem para prisões, processos judiciais e ações contra contas associadas às atividades investigadas, com novos resultados judiciais esperados ao longo de 2027.
A empresa também pretende aplicar o modelo desenvolvido na Operation Lighthouse em futuras operações, ampliando a colaboração entre autoridades, setor privado e organizações especializadas no combate à exploração infantil e a outras atividades ilícitas. O esforço se insere em um contexto mais amplo de fiscalização crescente sobre o uso de criptomoedas para fins criminosos: segundo o relatório Crypto Crime 2026 da própria Chainalysis, os fluxos de criptomoedas suspeitos de financiar tráfico humano cresceram 85% entre 2024 e 2025, alcançando a escala de centenas de milhões de dólares.

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