Pinterest lança recurso para ajudar adolescentes brasileiros a desconectarem do celular

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Flavio Sartori

O Pinterest se tornou a primeira plataforma a lançar no Brasil um recurso que aparece na própria tela do adolescente, incentivando-o a fechar o aplicativo e desligar as notificações durante o horário escolar. O anúncio se apoia em pesquisa encomendada pela empresa à Ipsos-Ipec, que revela um paradoxo no comportamento dos jovens: eles sabem que passam tempo demais no celular, mas não conseguem — nem sabem como — reduzir esse uso.

O levantamento, feito com 608 adolescentes de 13 a 16 anos da Região Metropolitana de São Paulo entre 27 de julho e 9 de agosto de 2026, mostra que essa faixa etária passa em média 6,1 horas por dia no celular. A consciência sobre o problema é alta: 89% concordam totalmente que adolescentes passam tempo demais no aparelho, e 83% dizem querer gerenciar melhor o próprio tempo de tela — mas essa consciência não se traduz automaticamente em mudança de comportamento.

O maior obstáculo é o vazio deixado pela desconexão. Seis em cada dez adolescentes (60%) afirmam não saber o que fazer quando estão longe do celular, 44% têm medo de perder algo importante (o chamado FOMO) e 42% se sentem distantes dos amigos ao se afastar do aparelho. Ainda assim, 65% concordam que gostariam de conseguir se desconectar mais facilmente, e 70% sentem que o celular sempre, frequentemente ou às vezes interfere em atividades cotidianas como escola, família, amigos, sono e hobbies.

A pesquisa também mediu como os adolescentes comparam o uso excessivo do celular a outros comportamentos de risco à saúde. A maioria acredita que, no futuro, viajar para lugares novos (93%) e ter hobbies criativos (86%) serão vistos como práticas melhores do que usar o celular por oito horas diárias. Por outro lado, até um terço dos jovens já enxerga esse uso prolongado como equivalente a hábitos reconhecidamente nocivos: 36% o comparam a deixar de usar protetor solar, 31% a andar de bicicleta sem capacete, 28% a exagerar no consumo de cafeína ou energéticos e 25% a se alimentar mal o dia inteiro.

Diferente da ideia de que bastaria dar mais autonomia ao jovem para ele se regular, os próprios adolescentes pedem soluções coletivas e estruturadas. Segundo o estudo, 88% dizem que atividades para desconectar junto com amigos seriam a medida mais eficaz, seguidas por espaços e atividades sem celular na escola (79%), aplicativos ou notificações que lembrem de fazer pausas (63%) e limites diários definidos por eles mesmos ou pelos pais (61%).

Quando um adolescente abre o Pinterest durante o horário escolar, uma mensagem passa a aparecer na tela incentivando-o a fechar o aplicativo e desativar as notificações do celular. A ferramenta já havia sido testada no ano passado nos Estados Unidos e no Canadá, antes de ser expandida para Reino Unido, França e Alemanha — o Pinterest foi a primeira plataforma a adotar esse tipo de medida, e os avisos têm sido clicados a uma taxa três vezes superior à média do mercado.

A linguagem das mensagens também foi ajustada com base no retorno dos próprios adolescentes: no Canadá e nos Estados Unidos, os jovens relataram que os avisos iniciais pareciam vir de um pai, mãe ou professor, o que levou o Pinterest a adotar um tom mais casual e próximo, com frases como "tem muitas coisas ocupando sua mente?" e "sai um pouco do aplicativo do Pinterest".

"As salas de aula brasileiras estão mudando — o país deu um passo ousado ao restringir o uso de celulares nas escolas, e os dados mostram que os próprios adolescentes estão pedindo ajuda para se desconectar", afirmou Marcos Westphalen, vice-presidente do Pinterest para a América Latina. "Mas a legislação é só o começo. As empresas de tecnologia não podem ficar de fora. O Pinterest está comprometido em fazer parte da solução — oferecendo aos estudantes, pais e professores as ferramentas de que precisam para que não enfrentem esse desafio sozinhos."

O lançamento ocorre pouco mais de um ano depois de entrar em vigor a Lei Federal nº 15.100/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2025 e em vigência desde o início do ano letivo daquele ano. A norma proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes durante aulas, recreios e intervalos em todas as etapas da educação básica — infantil, fundamental e médio —, tanto em escolas públicas quanto privadas.

A lei não veta o uso de forma absoluta: permite o celular para fins pedagógicos com orientação de professores, além de situações de acessibilidade, inclusão, condições de saúde e casos de perigo ou força maior. Em São Paulo, uma lei estadual anterior (nº 18.058/2024) já restringia o uso com regras semelhantes, e levantamentos da Assembleia Legislativa do estado apontam melhora no desempenho e na interação social dos alunos após a medida entrar em vigor. O Ministério da Educação também prepara pesquisa própria sobre os efeitos da restrição um ano após sua implementação.

O estudo do Pinterest com a Ipsos-Ipec avaliou a percepção de adolescentes sobre tempo de tela, barreiras para desconexão, gerenciamento do uso do celular e atitudes em relação a hábitos digitais mais saudáveis. As entrevistas foram presenciais e domiciliares, realizadas na Região Metropolitana de São Paulo entre 27 de julho e 9 de agosto de 2026, com 608 adolescentes de 13 a 16 anos selecionados a partir de setores censitários definidos com base em dados do Censo e da PNADC do IBGE, para garantir representatividade.

Dentro dos setores, os participantes foram selecionados por cotas de sexo, idade, escolaridade e raça/cor, e adolescentes de 13 e 14 anos precisaram de autorização dos responsáveis para participar. O questionário, com duração média de dez minutos e composto apenas por perguntas fechadas, tem margem de erro estimada de 4 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando intervalo de confiança de 95%. Fatores de ponderação foram calculados pela Ipsos-Ipec para corrigir cotas populacionais com base em dados da PNADC-IBGE.

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