Receita da Xiaomi atinge RMB 108,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, mas lucro cai com pressão de custos

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Flavio Sartori

A Xiaomi Corporation registrou receita total de RMB 108,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, encerrado em 30 de junho, um crescimento de 9,9% em relação ao trimestre anterior, superando novamente a marca de RMB 100 bilhões. O lucro líquido ajustado atingiu RMB 6,2 bilhões, alta de 2,4% frente ao trimestre imediatamente anterior — ainda que, na comparação anual, a receita tenha recuado 6,1% e o lucro ajustado tenha caído 42,6%, pressionados pelo aumento expressivo nos custos de componentes essenciais, sobretudo memória.

A indústria de smartphones enfrentou desafios generalizados decorrentes do aumento nos preços de memória ao longo do período. Apesar disso, a companhia sinalizou que o pior momento dessa pressão já passou, com expectativa de desaceleração no ritmo de alta dos componentes no segundo semestre — ao mesmo tempo em que projeta que o negócio de veículos elétricos, em rápido crescimento, passe a responder por parcela maior da receita total.

Guiada por sua estratégia Human × Car × Home, a Xiaomi manteve desenvolvimento constante em seus dois segmentos e quatro linhas de negócio durante o período.

A receita do segmento de smartphones e AIoT atingiu RMB 84 bilhões. Dentro dele, o negócio de smartphones chegou a RMB 42,1 bilhões, com remessas globais de 31,2 milhões de unidades — as remessas mantiveram-se entre as três maiores do mercado mundial por 24 trimestres consecutivos, segundo a Omdia. No período, os smartphones da Xiaomi ficaram entre os três primeiros em 53 países e regiões e entre os cinco primeiros em 67 países, ocupando a segunda posição no Sudeste Asiático, na América Latina e no Oriente Médio.

A estratégia de premiumização avançou: o preço médio de venda (ASP) global dos smartphones subiu 25,9% em relação ao ano anterior, atingindo o recorde de RMB 1.351. Na China continental, aparelhos com preço igual ou superior a RMB 3.000 representaram parcela recorde de 32,1% do total de unidades vendidas pela Xiaomi, alta de 4,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em maio de 2026, a companhia lançou a Xiaomi 17T Series, seu smartphone topo de linha com recursos avançados de imagem, reforçando o portfólio premium.

A receita de produtos de IoT e estilo de vida alcançou RMB 31,3 bilhões, aumento de 26,7% em relação ao trimestre anterior, com crescimento acelerado da receita internacional dessa divisão. O negócio de serviços de internet somou RMB 9 bilhões, com margem de lucro bruto de 76,8% — alta de 1,4 ponto percentual em relação ao ano anterior —, e o número de usuários ativos mensais (MAU) globais atingiu novo recorde: 766,5 milhões, com 197,7 milhões apenas na China continental.

A receita do segmento de veículos elétricos inteligentes (EV), inteligência artificial e outras novas iniciativas totalizou RMB 24,9 bilhões, alta de 17,1% em relação ao ano anterior. Desse total, a receita de veículos elétricos foi de RMB 23,9 bilhões, acompanhando o crescimento contínuo das entregas: 104.199 unidades no trimestre, aumento de 28,2% na comparação anual.

Apesar do avanço em receita e entregas, o segmento de novas iniciativas — que inclui EV e IA — registrou perda operacional de RMB 2,6 bilhões no trimestre, com margem bruta recuando de 26,4% para 19,2% na comparação anual, refletindo os investimentos pesados na expansão da linha de veículos.

Em julho de 2026, a Xiaomi revelou oficialmente a Arquitetura Técnica Xiaomi Kunlun e apresentou a série Xiaomi SkyNomad de SUVs com autonomia estendida, ingressando formalmente nesse mercado. O SkyNomad N90 Max é equipado com bateria Xiaomi Armor Scale de 76 kWh, oferecendo autonomia combinada de até 1.705 km no padrão CLTC, com cabine que permite configurações de assentos frente a frente, modo escritório e modo cama. Segundo a BitAuto, no primeiro semestre de 2026 a série Xiaomi SU7 liderou as vendas entre sedãs totalmente elétricos com preço igual ou superior a RMB 200.000 na China continental.

No quesito segurança, o Xiaomi YU7 obteve as classificações mais altas em todas as quatro dimensões avaliadas pelo programa C-ICAP (assistência à condução, assistência ao estacionamento, cockpit inteligente e proteção de privacidade), além de receber a certificação "Five-Star Plus" no C-NCAP.

Segundo a Omdia, as remessas de tablets da Xiaomi ocuparam a quarta posição global no trimestre — nono trimestre consecutivo entre as cinco maiores do mundo —, com remessas e receita de tablets no exterior atingindo níveis recordes. Fones de ouvido TWS ficaram em segundo lugar globalmente e na China continental, mesma posição alcançada pelas pulseiras inteligentes.

Em 30 de junho de 2026, o número de dispositivos IoT conectados à plataforma AIoT do grupo (excluindo smartphones e tablets) atingiu 1.160,8 milhões, alta de 17,4% em relação ao ano anterior. O número de usuários com cinco ou mais dispositivos conectados chegou a 24,6 milhões, crescimento de 20,2%. Em junho, o MAU do aplicativo Xiaomi Home cresceu 9,7%, atingindo 124,1 milhões, enquanto o MAU do Xiaomi AI Assistant cresceu 14,2%, chegando a 174,9 milhões.

Os gastos da Xiaomi com P&D atingiram RMB 9,2 bilhões no trimestre, alta de 18,9% em relação ao ano anterior; no primeiro semestre, os investimentos somaram mais de RMB 18 bilhões.

No campo da inteligência artificial, o modelo de grande porte desenvolvido internamente pela companhia, o Xiaomi MiMo-V2.5, alcançou o primeiro lugar na plataforma internacional OpenRouter em uso semanal de tokens, atingindo 10,5 trilhões de tokens. Em julho de 2026, o modelo on-device Xiaomi MiMo concluiu os procedimentos nacionais de registro para modelos de grande porte, e o Xiaomi 17 Pro Max foi um dos primeiros dispositivos a receber certificação de Nível 3 (L3) nas normas de "Classificação de Inteligência de Terminais de AI" da Associação da Indústria de Computadores da China.

Na robótica, a Xiaomi lançou em julho dois modelos de base para robótica incorporada — Xiaomi-Robotics-U0 e Xiaomi-Robotics-1 —, ambos alcançando o primeiro lugar em diversos benchmarks internacionais. Na fábrica de veículos elétricos da companhia, a taxa de sucesso dos robôs em tarefas bilaterais na estação de carregamento de porcas de inserção roscada subiu de 90,2% para 98%.

Em agosto de 2026, a Xiaomi lançou a versão beta do Xiaomi HyperOS 4, equipado com o "Xiaomi Hyper XiaoAi 2.0" — impulsionado pelo modelo Xiaomi MiMo e aprimorado por IA —, permitindo interações coordenadas entre ecossistemas, cenários e dispositivos.

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