Setor financeiro enfrenta uma tentativa de fraude a cada 9 segundos no primeiro semestre, revela Serasa Experian

fonte : Serasa Experian

Flavio Sartori

O setor financeiro brasileiro registrou 1.747.373 tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, crescimento de 9,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento das soluções de prevenção à fraude da Serasa Experian. O volume equivale a uma investida a cada nove segundos em processos de entrada e cadastro de clientes — foram 151.869 ocorrências a mais do que nos seis primeiros meses de 2025.

O avanço reforça a pressão dos criminosos sobre um setor que reúne produtos diretamente ligados à movimentação de dinheiro, contratação de crédito e aceitação de pagamentos. Mas o dado mais expressivo do levantamento está no impacto financeiro potencial: o valor salvo pelas tecnologias antifraude quase dobrou em apenas um ano, passando de R$ 51,3 milhões para R$ 100,4 milhões, alta de 95,8% — o equivalente a mais de meio milhão de reais protegidos diariamente.

"Os números sugerem que os criminosos não estão apenas tentando mais vezes, mas mirando oportunidades com potencial de retorno financeiro maior. Uma identidade fraudulenta aprovada na entrada pode ser usada para abrir contas, solicitar cartões, contratar empréstimos ou habilitar serviços de pagamento", afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, Leandro Bartolassi. "Por isso, barrar a fraude logo no início da jornada é fundamental para impedir que o risco avance e se transforme em perdas para empresas e consumidores", completa.

Para a datatech, a etapa de cadastro e validação de identidade exige atenção especial porque a aprovação de uma identidade falsa ou o uso indevido de dados de terceiros pode permitir que o fraudador avance para diferentes produtos e operações dentro da mesma instituição. O padrão é coerente com outros levantamentos do setor: estudo da Liminal e da Unico projeta que perdas por fraude em instituições financeiras devem aumentar mais de 120% até 2030, com o Brasil concentrando 48,3% dos casos de ataques de identidade sintética registrados na América Latina — mais do que o dobro da média global, de 23%.

As "Financeiras", empresas voltadas à oferta de crédito, empréstimos e financiamentos, registraram o maior crescimento percentual entre os segmentos analisados. As tentativas ultrapassaram 50 mil no primeiro semestre deste ano, com aumento de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025. O valor salvo nessas operações também apresentou a maior variação proporcional: o montante mais que dobrou, saindo de R$ 1,9 milhão para R$ 4,2 milhões.

Em volume total de ocorrências, no entanto, as empresas de "Meios de Pagamento" — que viabilizam a aceitação e o processamento de pagamentos no comércio, inclusive por meio de maquininhas de cartão e canais digitais — continuaram liderando o ranking do setor financeiro. Foram 1.219.793 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2026, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O segmento concentrou sete em cada dez ocorrências identificadas no setor financeiro, respondendo por 86% das novas ocorrências registradas entre os dois períodos.

O peso dos meios de pagamento nesse tipo de fraude já vinha sendo observado em levantamentos trimestrais anteriores da própria Serasa Experian: no primeiro trimestre de 2026, o segmento já liderava com 644.586 tentativas, seguido por "Telefonia" (313.200) e "Bancos e Cartões" (259.160).

Para Bartolassi, não existe uma solução única capaz de conter esse tipo de ameaça. "Não existe uma única tecnologia capaz de interromper todos os tipos de fraude. A proteção precisa combinar análise cadastral, validação de documentos, biometria, inteligência de dispositivos e avaliação de comportamento. Essa atuação em camadas permite identificar inconsistências antes da aprovação, sem transformar segurança em uma barreira para o cliente legítimo", conclui.

Resumo do semestre

  • Tentativas de fraude no setor financeiro: 1.747.373 (+9,5%), uma a cada 9 segundos.
  • Valor protegido pelas tecnologias antifraude: R$ 100,4 milhões (+95,8% em um ano).
  • Financeiras (crédito e empréstimos): mais de 50 mil tentativas (+22,2%); valor salvo saltou de R$ 1,9 milhão para R$ 4,2 milhões.
  • Meios de Pagamento: 1.219.793 tentativas (+11,9%), concentrando 86% do crescimento total do setor.

O levantamento considera o recorte de Onboarding/Cadastro do Mapa da Fraude da Serasa Experian, com base nas tentativas de fraude de identidade identificadas pela datatech no primeiro semestre de 2026.

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