73% dos brasileiros acham que identificam falsificações de IA, mas 70% já arriscaram dados sensíveis
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| imagem gerada por IA |
Um novo relatório da Avast revela uma "armadilha da confiança na IA": 73% dos adultos brasileiros estão convencidos de que conseguiriam identificar uma falsificação criada por inteligência artificial assim que a vissem, mas 70% já compartilharam ou consideraram compartilhar informações sensíveis com um chatbot de IA. O estudo, batizado de Avast 2026 Safe Tech para entender como as pessoas lidam com confiança, privacidade e IA no cotidiano.
Segundo o levantamento, identificar uma falsificação e proteger os próprios dados são habilidades completamente diferentes — mas a confiança em uma leva as pessoas a acreditarem, erroneamente, que estão seguras na outra. "Ter confiança de que você identificaria uma falsificação criada por IA e saber quando e como proteger seus dados são duas habilidades diferentes — mas a confiança em uma pode fazer as pessoas acreditarem que estão seguras com a outra, e essa é a armadilha", afirma Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e Inovação na Gen. "Chatbots não são confidentes. Verifique o que uma ferramenta realmente faz com seus dados antes de compartilhar qualquer coisa."
O Relatório de Ameaças, referente ao primeiro semestre de 2026, reforça o risco: a IA esteve envolvida em dezenas de milhões de interações em vídeo no mundo, e aproximadamente 1 em cada 30 foi identificada como golpe — prova de que as falsificações são convincentes o suficiente para passar despercebidas justamente pela confiança que as pessoas têm na própria capacidade de detectá-las.
"O que vemos no cenário de ameaças reforça o que os consumidores estão nos dizendo aqui: identificar que algo foi criado com IA é apenas parte do desafio", afirma Michal Salat, diretor de Inteligência de Ameaças no Gen Threat Labs. "Os criminosos ainda estão explorando os mesmos gatilhos psicológicos — urgência, confiança, medo e a promessa de algo bom demais para deixar passar."
A autoconfiança reduz a cautela também em contextos profissionais. De acordo com o estudo:
- 30% dos adultos já compartilharam ou consideraram compartilhar um documento de trabalho com um chatbot de IA
- Outros 30% fizeram o mesmo com capturas de tela de mensagens privadas ou e-mails
- 28% compartilharam ou consideraram compartilhar o próprio currículo
O relatório alerta que o maior risco de 2026 não é um vazamento pontual, mas o fato de as ferramentas de IA "lembrarem" das informações. Um documento compartilhado hoje pode permanecer na memória de um sistema muito depois da conversa terminar, sendo exposto em uma futura violação de dados, aparecendo no chat de outra pessoa ou sendo incorporado a dados de treinamento — tudo sem o conhecimento do usuário.
O levantamento identificou quais sinais clássicos de golpe são mais facilmente descartados pelos entrevistados:
- Metade dos adultos (50%) diz que o alerta mais fácil de ignorar é uma oferta boa demais para ser verdade
- 45% deixam passar um pedido de informações pessoais "apenas para confirmar"
- 37% desconsideram a pressão para agir rápido
Segundo a Avast, pesquisas dos Laboratórios de Ameaças da Gen sobre vídeos falsos de celebridades mostram um padrão recorrente: o rosto ou a voz realista gerados por IA são apenas a fachada, enquanto a oferta tentadora, a urgência e o pedido de confirmação são os elementos que de fato convencem a vítima — justamente os sinais que as pessoas mais rapidamente descartam.
Quando algo suspeito chega — uma mensagem, ligação ou DM —, 34% dos brasileiros apagam e não comentam com ninguém, enquanto 24% preferem investigar por conta própria. Esse mesmo instinto individual limita o alcance do aprendizado sobre golpes: 94% dos adultos brasileiros consomem conteúdo sobre golpes no estilo true crime, e isso muda o comportamento — 67% dizem ficar mais atentos no dia a dia, e 59% afirmam ficar mais desconfiados de mensagens e ofertas. Ainda assim, entre os 94% que já viram esse tipo de conteúdo, apenas 48% o usaram para iniciar uma conversa de alerta com amigos, parceiros ou familiares.
A Avast recomenda três hábitos para escapar da "armadilha da confiança": compartilhar menos informações por padrão, questionar a pressão para agir rapidamente com o mesmo cuidado usado para verificar se algo é real, e compartilhar o próprio conhecimento sobre golpes com pessoas próximas para ajudá-las a se proteger também. O relatório completo está disponível no site da Avast.

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