Empresas aceleram investimentos em adaptação climática, mas apenas 15% quantificaram totalmente o impacto financeiro dos riscos relacionados ao clima
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| imagem gerada por IA |
As disrupções climáticas, o estresse hídrico, a escassez de recursos e a volatilidade geopolítica têm aumentado a pressão sobre as operações corporativas, as cadeias de suprimentos e o crescimento dos negócios. Segundo a quinta edição do relatório "Um Mundo em Equilíbrio: A redefinição da resiliência", do Instituto de Pesquisa da Capgemini (CRI, na sigla em inglês), as organizações têm reagido priorizando a adaptação climática e a resiliência dos negócios. Quase sete em cada dez executivos já colocam essa agenda no centro da estratégia corporativa, e quase dois terços das organizações afirmam utilizar inteligência artificial para avançar em suas metas de sustentabilidade. Ainda assim, a pesquisa revela um descompasso crescente entre ambição e execução: mais empresas registram atrasos em seus compromissos de net zero (emissões líquidas zero) e enfrentam dificuldades para mensurar os impactos relacionados ao clima e à própria IA.
Quase nove em cada dez organizações relatam que eventos climáticos causaram disrupções em suas cadeias de suprimentos. Em resposta, 68% dos executivos afirmam que suas organizações priorizam ativamente a adaptação climática, um salto em relação aos 56% registrados em 2025. A forma como os líderes empresariais enxergam a sustentabilidade também mudou: o tema deixou de ser tratado apenas como exercício de relatório e conformidade normativa para ser analisado sob a ótica de resultados de negócios mensuráveis, resiliência, continuidade operacional e acesso a recursos críticos.
Quase dois terços dos executivos apontam a segurança energética e o acesso a recursos críticos como fatores determinantes para investimentos em sustentabilidade. Mais de sete em cada dez afirmam que garantir o acesso a recursos como energia, água e materiais exerce hoje maior influência na tomada de decisões sobre sustentabilidade do que as próprias metas de redução de emissões — uma inversão de prioridades que marca a mudança de eixo da agenda corporativa nesta edição do estudo.
Essa transição também remodela as prioridades estratégicas das organizações: mais de três quartos dos executivos afirmam que suas empresas aceleraram os esforços para integrar a resiliência energética e de recursos às estratégias de negócios e sustentabilidade. Paralelamente à segurança energética, os riscos hídricos também são uma preocupação crescente. Segundo o levantamento, 61% dos executivos acreditam que a escassez de água representará um desafio maior ao crescimento dos negócios do que a disponibilidade de energia nos próximos cinco anos.
Embora a conscientização sobre esses riscos esteja aumentando, a prontidão operacional permanece inconsistente. Apenas 15% das organizações quantificaram totalmente o impacto financeiro de disrupções climáticas, e pouco mais de um em cada quatro executivos afirma que sua empresa avaliou os riscos climáticos em toda a sua cadeia de valor estendida ou implementou ferramentas e plataformas de análise de riscos climáticos.
Ainda assim, há sinais de amadurecimento das capacidades de adaptação: a proporção de executivos que declaram que suas organizações estão despreparadas para os impactos climáticos caiu de 54%, em 2025, para 44%, em 2026 — uma melhora expressiva, mesmo que o patamar de despreparo ainda seja alto.
"As disrupções causadas pelas mudanças climáticas se tornaram o nosso novo normal, porém ainda existe uma grande lacuna entre a conscientização dos líderes empresariais sobre os riscos e a implementação efetiva. Para proteger suas cadeias de suprimentos, operações, infraestrutura e o acesso à energia, água e materiais essenciais, eles não podem mais adiar a ação climática", afirmou Cyril Garcia, líder global de Serviços de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa e membro do Conselho Executivo do Grupo na Capgemini. "É animador ver as organizações priorizarem a adaptação e a resiliência em prol de um crescimento sustentável. No entanto, à medida que os riscos climáticos e políticos evoluem, as organizações precisam continuar integrando a sustentabilidade em suas estratégias centrais de negócios e nas operações do dia a dia."
Quase sete em cada dez organizações afirmam que suas iniciativas de sustentabilidade geraram um retorno sobre o investimento (ROI) líquido positivo. Quase dois terços dos executivos (64%) dizem que os investimentos em sustentabilidade impulsionaram as vendas — um salto em relação aos 47% registrados em 2025 —, e 74% reconhecem que as práticas sustentáveis fortaleceram o valor da marca.
Olhando para o futuro, 83% afirmam que suas organizações aumentarão os investimentos em adaptação climática nos próximos 12 a 18 meses, o que reflete uma tendência já visível hoje: no ano passado, as organizações aplicaram 1,04% de sua receita em iniciativas de sustentabilidade, superando os 0,8% inicialmente alocados para essas ações. Esse investimento também ajuda as organizações a gerenciar disrupções nos negócios — cerca de dois terços dos executivos dos setores de manufatura ou intensivos em ativos relatam que esses aportes melhoraram a eficiência operacional em meio a restrições de abastecimento, enquanto pouco mais da metade afirma ter aprimorado sua capacidade de antecipar e responder a disrupções nas operações e na cadeia de suprimentos.
Embora a maioria das organizações possua metas de sustentabilidade, a pesquisa sugere que a implementação permanece desafiadora. Em 2026, 84% das organizações afirmam ter estabelecido metas baseadas na ciência, um aumento de três pontos percentuais em relação a 2025. No entanto, apenas 42% dizem estar no caminho certo para cumprir suas metas intermediárias ou para 2030.
O descompasso na execução é particularmente visível nos programas de net zero: a parcela de organizações que registraram atraso no cumprimento dessas metas saltou para 11% em 2026, ante apenas 1% em 2025 — um crescimento de mais de dez vezes em apenas um ano. Além disso, 29% afirmam ter adiado seus objetivos de net zero, em comparação com apenas 8% no ano anterior.
Quase dois terços das organizações reconhecem que alinhar os esforços de sustentabilidade a metas baseadas na ciência é um desafio. A disponibilidade de dados, a mensuração e a visibilidade da cadeia de valor ainda são obstáculos centrais: a proporção de organizações capazes de mensurar e coletar dados referentes a todas as emissões de Escopo 3 caiu para 34%, ante 54% em 2025, evidenciando a dificuldade de rastrear e gerenciar emissões além das operações diretas.
A inteligência artificial é cada vez mais considerada uma ferramenta para transformar ambições de sustentabilidade em ações concretas. Quase dois terços das organizações utilizam IA para avançar em suas agendas de sustentabilidade, e mais de um terço utiliza ou planeja utilizar IA agêntica em iniciativas voltadas para essa área. Ao mesmo tempo, as implicações ambientais da própria IA têm sido cada vez mais reconhecidas pela alta liderança: sete em cada dez organizações relatam que essas discussões já chegam ao conselho administrativo.
No entanto, a supervisão e a transparência sobre a tecnologia permanecem limitadas. Quase metade dos executivos afirma que a IA aumentou significativamente as emissões de gases de efeito estufa de suas organizações. Contudo, essa preocupação parece avançar em ritmo mais rápido do que a capacidade das empresas de mensurá-la: pouco mais de um terço dos executivos diz que sua organização mede o consumo de energia dos sistemas e cargas de trabalho de IA, bem como a pegada de carbono associada a esse uso.
Metodologia
O CRI realizou uma pesquisa com 2.100 executivos de 701 organizações, cada uma com receita anual superior a US$ 1 bilhão, em 13 países da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, abrangendo 12 indústrias e setores, entre eles aeroespacial e defesa, agricultura e silvicultura, automotivo, produtos de consumo, energia, serviços financeiros, saúde e ciências da vida, manufatura industrial, varejo, telecomunicações, utilities e setor público. A pesquisa foi realizada entre junho e julho de 2026 e também inclui um levantamento global com 6.500 consumidores e entrevistas com 15 executivos de organizações líderes em suas respectivas indústrias.

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