Gartner: 30% dos demitidos por IA precisarão ser recontratados até 2029

fonte : Gartner set/2026

Flavio Sartori

O Gartner identificou quatro mudanças que devem moldar o futuro do trabalho à medida que a inteligência artificial se expande dentro das empresas. Segundo a consultoria, até 2029, 30% dos funcionários demitidos por causa da substituição por IA precisarão ser recontratados, muitas vezes a um custo bem mais alto do que o original.

Para Tori Paulman, vice-presidente analista do Gartner, o principal equívoco dos primeiros anos da era da IA foi tratar a automação do trabalho como objetivo final, quando na verdade a oportunidade estava em ampliar as capacidades da força de trabalho. Segundo ela, a vantagem competitiva ficará com CIOs e executivos que construírem organizações moldadas pela IA, capazes de remodelar funções e permitir que fluxos de trabalho superem fronteiras tradicionais.

A consultoria alerta que cortes de pessoal podem trazer ganhos financeiros imediatos, mas reduzem os pipelines de talentos e enfraquecem o conhecimento institucional das empresas. Como o crescimento da força de trabalho mundial está estagnado ou em queda, a disputa por talentos deve se intensificar, elevando custos de recrutamento, treinamento e integração.

"Executivos de negócios e de TI que utilizarem a inteligência artificial principalmente como uma ferramenta para redução de custos correm o risco de fazer cortes profundos demais e cedo demais, comprometendo sua capacidade de inovar em seus modelos de negócios e de competir em novos mercados", afirma Paulman. Em vez disso, ela recomenda uma estratégia de "talent remix", que use a IA para remodelar funções e realocar trabalhadores de atividades menos produtivas para novas oportunidades.

O Gartner 2026 Hype Cycle for the Future of Work mostra que, conforme os primeiros investimentos em IA entram no chamado "Vale da Desilusão", o desafio para CIOs deixa de ser tecnológico e passa a ser usar a IA para ampliar a inteligência, a expertise e a criatividade humanas. As conclusões foram apresentadas na Conferência Gartner CIO & IT Executive, que ocorre em São Paulo.

Ampliar as capacidades humanas. À medida que a IA se torna uma "ferramenta parceira", as empresas precisarão criar formas mais sofisticadas de colaboração que fortaleçam o julgamento, a criatividade e a liderança dos colaboradores, sem substituí-los. Tecnologias como avatares de IA do colaborador, ferramentas de IA parceiras de trabalho, coaching digital e gêmeos digitais devem apoiar essa transição.

Preparar uma força de trabalho adaptável. O ritmo das mudanças tecnológicas expõe lacunas em habilidades e capacidade de adaptação. Organizações preparadas para o futuro vão investir em letramento em IA, gestão de competências e destreza digital, além de garantir que seus executivos sejam "fluentes em IA".

Preservar contexto e julgamento humano. Com a IA incorporada a mais processos, cresce o risco de perda de conhecimento institucional. As empresas mais bem posicionadas desenvolverão sistemas que mantenham a supervisão humana e expliquem não apenas como um processo funciona, mas por que ele é feito daquela forma — usando interfaces conversacionais e plataformas de inteligência de decisão.

Gerar valor de forma acumulativa. O sucesso de longo prazo exige que cada novo caso de uso de IA seja mais rápido, barato e seguro que o anterior. O Gartner projeta que, até 2027, 75% das organizações que priorizarem converter ganhos de produtividade da IA em corte de custos serão superadas por concorrentes que reinvestirem esses ganhos em inovação, modernização e capacitação — usando tecnologias como wearables com IA, modelos generativos específicos de domínio e vibe coding.

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