Google Cloud Summit Brasil 2026 anuncia salto de infraestrutura

esq. Milena Leal Country Manager  dir: Eduardo López  Presidente Google Cloud Americas

Flavio Sartori

O Google Cloud Summit Brasil 2026 aconteceu entre os dias 23 e 25 de setembro no Transamerica Expo Center, em São Paulo, reunindo cerca de 250 mil pessoas entre executivos, desenvolvedores, parceiros e estudantes, em formato híbrido. O dia 24, dedicado às lideranças de negócio, foi o palco dos principais anúncios da companhia para o mercado brasileiro, com destaque para o plano de dobrar a infraestrutura técnica do Google Cloud no país até 2030.

Durante a abertura, conduzida por Thomas Kurian, CEO global do Google Cloud, pelo segundo ano consecutivo, a empresa detalhou a magnitude do investimento: a capacidade de computação erguida no Brasil entre 2016 e 2026 — nove anos de operação — será duplicada em menos da metade desse tempo, até 2030. "Vamos duplicar toda nossa capacidade no Brasil entre 2026 e 2030. Ou seja, em menos da metade do período, vamos duplicar nossas capacidades que construímos em praticamente nove anos", afirmou Rodrigo López, executivo do Google Cloud, durante o evento.

A expansão é impulsionada diretamente pela demanda crescente por inteligência artificial e serviços de nuvem na América do Sul, com o Gemini Enterprise no centro dessa aceleração.

Entre as novidades técnicas, a mais relevante para empresas brasileiras é a residência local de dados: a partir de 15 de outubro, a versão web do Gemini Enterprise passa a processar localmente, no Brasil, os dados de clientes que utilizam o modelo Gemini 3.5 Flash. A medida se soma ao armazenamento de dados de fluxos de trabalho com agentes, que já era feito localmente, e busca atender exigências regulatórias e de soberania de dados no país.

A região de nuvem de São Paulo também passou a contar com as máquinas virtuais Google Cloud G4, equipadas com GPUs NVIDIA RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition, direcionadas a aplicações que exigem maior capacidade computacional, como inferências complexas de IA e processamento em tempo real.

Uma pesquisa produzida pela IDC e pela Provokers a pedido do Google Cloud, divulgada durante o Summit, revelou que sete em cada dez profissionais brasileiros já utilizam assistentes de inteligência artificial em suas atividades diárias de trabalho. O dado reforça o discurso da companhia de que o Brasil lidera o entusiasmo regional pela tecnologia, ainda que a consolidação da governança em processos críticos continue como desafio para boa parte das organizações.

Nem todas as novidades globais chegam ao país no mesmo ritmo. Durante o evento, o Google Cloud confirmou que o Gemini Enterprise for Legal — plug-in de IA generativa voltado para a área jurídica, lançado no exterior no mês anterior — ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Segundo a empresa, é necessário adaptar a implantação do produto ao marco legal brasileiro antes de expandir a oferta, que hoje está disponível apenas nos Estados Unidos, no Reino Unido e em alguns países da Europa.

O terceiro e último dia do Summit, em 25 de setembro, foi dedicado ao Capacita+, iniciativa gratuita e híbrida de treinamento em IA, transmitida ao vivo pelo YouTube em parceria com mais de 150 universidades brasileiras. A meta era capacitar 200 mil pessoas em um único dia, repetindo o formato que em 2025 já havia sido certificado como a maior aula híbrida e simultânea de IA já realizada.

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