imagem gerada por IA

Flavio Sartori

Uma pesquisa da Ipsos-Ipec mostra que, mesmo com o avanço da inteligência artificial, os brasileiros continuam priorizando critérios tradicionais na hora de escolher ou permanecer em um emprego. A remuneração lidera as prioridades, o vínculo CLT é visto como mais atrativo que o trabalho autônomo e a maioria da população demonstra preocupação com o risco de a tecnologia substituir profissões. O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios entre 6 e 10 de agosto de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Oito em cada dez brasileiros (82%) acreditam que as pessoas deveriam se preocupar muito ou um pouco com o risco de a inteligência artificial substituir ocupações e profissões. Apenas 17% consideram que a preocupação deveria ser pequena ou inexistente. O resultado reforça que a ansiedade em torno da automação já é um sentimento consolidado na sociedade brasileira, independentemente de idade, renda ou escolaridade.

Ao serem perguntados sobre o fator mais importante para escolher ou permanecer em um trabalho, os brasileiros apontam:

  • Remuneração, incluindo salário e benefícios: 32%
  • Estabilidade e segurança no trabalho: 18%
  • Possibilidades de crescimento profissional: 16%
  • Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal: 7%
  • Reconhecimento e valorização: 7%
  • Ambiente de trabalho e relação com colegas: 5%
  • Flexibilidade de horário: 4%

Segundo a pesquisa, esses resultados são semelhantes entre os diferentes segmentos sociodemográficos analisados, o que indica um consenso amplo sobre a centralidade do salário na decisão profissional dos brasileiros.

Quando o ganho é equivalente, 39% dos entrevistados consideram o trabalho com carteira assinada mais atrativo, contra 27% que preferem a atuação autônoma ou por conta própria. Outros 33% veem as duas modalidades como igualmente atrativas, e 2% não souberam responder.

A preferência pela CLT é mais forte entre os Baby Boomers (62 anos ou mais), alcançando 59%, e entre pessoas com ensino fundamental (49%). Já o trabalho autônomo tem mais adeptos entre os jovens da Geração Z, com 35% de menções — o maior índice entre todas as faixas etárias pesquisadas.

O interesse por cargos de liderança e gestão divide o país: 46% dos brasileiros dizem ter muito ou algum interesse em assumir esse tipo de posição, enquanto 52% declaram pouco ou nenhum interesse. A diferença geracional é acentuada — o interesse cai conforme a idade avança:

  • Geração Z: 60% têm muito ou algum interesse
  • Millennials: 48%
  • Geração X: 38%
  • Baby Boomers: 29%

Entre pessoas com ensino fundamental, 61% afirmam ter pouco ou nenhum interesse em liderar, proporção próxima à observada nas classes D e E (58%).

A formação universitária continua sendo vista como diferencial competitivo pela maioria dos brasileiros: 63% dizem que ela influencia muito nas chances de conseguir um emprego, e 20% acreditam que influencia um pouco. Apenas 8% consideram que o diploma influencia pouco, e outros 8% dizem que não influencia nada. A percepção é praticamente homogênea entre os diferentes grupos sociodemográficos pesquisados.

Para Márcia Cavallari, diretora geral da Ipsos-Ipec, os resultados mostram que "mesmo diante das transformações trazidas pela inteligência artificial, os brasileiros seguem valorizando fatores tradicionais do mercado de trabalho, como remuneração, qualificação e segurança profissional". Segundo ela, a preocupação elevada com a substituição de ocupações pela tecnologia indica que a população "acompanha com atenção as mudanças que podem redefinir o futuro no mercado de trabalho".

Comentários