Mais sofisticados e personalizados, golpes do site falso, do WhatsApp e das redes sociais lideram ranking de contestações, aponta Santander

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Flavio Sartori

Com abordagens cada vez mais sofisticadas e personalizadas, os golpes de engenharia social têm feito milhares de vítimas e ampliado os prejuízos financeiros enfrentados pela população. Levantamento do Santander mostra que os golpes do site falso, do WhatsApp e das redes sociais foram os três tipos mais comunicados por clientes no primeiro semestre de 2026. Correntistas relataram ter sido vítimas de golpistas que exploram os canais de relacionamento com clientes e se passam por gerentes do banco, via mensagens no WhatsApp e até mesmo copiando ofertas da instituição por meio de sites fraudulentos, para obter dados ou induzir transações financeiras.

Na avaliação de Leandro Granja, CISO do Santander, os golpes de engenharia social ganharam escala nos últimos anos e hoje o principal desafio é proteger o cliente justamente no momento em que ele está sendo induzido ao golpe, sob forte apelo emocional. "Por isso, o Santander passou a atuar também no momento exato da decisão do cliente, com alertas preventivos durante transações sensíveis e mecanismos adicionais de confirmação de compras e pagamentos. É uma forma de tirar o cliente dessa hipnose e não cair no golpe", explica.

No levantamento do Santander, destaque também para o golpe da falsa central, que ganhou novas abordagens, como contatos via WhatsApp simulando "prova de vida", bloqueio do ID Santander ou validações de segurança, aumentando a taxa de sucesso dos golpistas. "Esse tipo de golpe evoluiu significativamente em sofisticação, combinando técnicas de persuasão com uso de dados e simulação de atendimento legítimo", alerta Granja.

No Santander, cibersegurança é tratada como um componente estrutural do negócio, não somente como disciplina técnica, com investimento contínuo em tecnologia, monitoramento e prevenção. O banco investe há quase 30 anos no uso de inteligência artificial de dados para combater golpes e fraudes. A evolução começou com modelos analíticos no início dos anos 2000 e hoje combina machine learning, biometria comportamental, análise transacional em tempo real, sinais de dispositivo e monitoramento 24 horas por dia em um modelo integrado de prevenção. "O foco não é apenas bloquear golpes, mas proteger o cliente de forma mais ampla", reforça o CISO do Santander.

Entre as principais inovações implementadas para proteger os clientes estão a biometria facial com IA e algoritmos para autenticação, o Alerta de Segurança nos aplicativos Santander e Santander Empresas — que avisa o cliente sobre transações suspeitas de golpes e fraudes em Pix, transferências e boletos — e a Confirmação de Compras Suspeitas via WhatsApp, push ou SMS. Essas camadas de proteção se somam a outro mecanismo importante à disposição dos clientes: o Mecanismo Especial de Devolução (MED), mecanismo regulamentado pelo Banco Central que permite a qualquer instituição financeira bloquear temporariamente valores recebidos via Pix quando há suspeita de fraude, retendo o dinheiro por até 72 horas até a conclusão da apuração — recurso acionado justamente a partir de contestações como as mapeadas neste levantamento.

O levantamento do Santander aponta o site falso como o golpe mais contestado por clientes no primeiro semestre de 2026, seguido pelo golpe do WhatsApp, pelas fraudes em redes sociais, pelo falso investimento e, por fim, pela falsa central. Cada uma dessas modalidades combina táticas específicas de persuasão e exige cuidados diferentes por parte do consumidor.

O site falso é um golpe em que criminosos criam páginas que imitam sites legítimos com o objetivo de enganar o usuário, muitas vezes se parecendo com e-commerces conhecidos, bancos, serviços de streaming ou outras plataformas digitais. Para se proteger, é recomendável desconfiar de promoções tentadoras e checar se a condição é verdadeira antes de concluir a compra no app ou site oficial da empresa, evitar abrir links ou anexos enviados por contatos ou e-mails desconhecidos e, antes de inserir qualquer informação em um site, verificar se a URL está correta e se o certificado de segurança está válido, indicado pelo cadeado ao lado do endereço.

No golpe do WhatsApp, criminosos criam perfis falsos utilizando a foto de conhecidos e familiares da vítima para solicitar transferências via Pix, alegando emergências, dívidas urgentes ou problemas com o banco — geralmente justificando o número desconhecido com a alegação de ter trocado de aparelho, e recorrendo ao tom de urgência para conseguir dinheiro rapidamente. A recomendação é confirmar com o contato por ligação, e não pelo aplicativo, se ele realmente mudou de número antes de fazer qualquer transferência, ativar a confirmação em duas etapas nas configurações do WhatsApp e, sobretudo, parar e pensar antes de agir, sem se deixar levar pela pressão de urgência.

Nas redes sociais, os golpistas invadem perfis legítimos para disseminar comunicações falsas com o intuito de atrair a atenção dos seguidores dessas pessoas ou empresas, usando ofertas de ganhos, anúncios de produtos a preços abaixo do mercado e até links patrocinados com promoções falsas — o que amplia bastante o alcance potencial de vítimas. Os cuidados recomendados incluem desconfiar de ofertas de ganhos rápidos ou de cobranças de frete para entrega de brindes, conferir no site oficial da loja se uma promoção vista em post patrocinado realmente existe, e utilizar a verificação de segurança em duas etapas como camada extra de proteção contra o acesso de terceiros às contas.

No falso investimento, golpistas oferecem, por WhatsApp, redes sociais, e-mail ou outros meios de comunicação, propostas que parecem extremamente lucrativas, apresentando-se como funcionários de bancos ou corretoras de renome e chegando a usar informações pessoais das vítimas e relatórios de ganhos falsos para parecerem mais convincentes. A defesa passa por tratar com desconfiança qualquer promessa de dinheiro rápido e fácil, evitar decisões de investimento por impulso ou sem tempo de análise detalhada, e sempre verificar a legitimidade da oferta e da instituição por meio de fontes confiáveis, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Já na falsa central, os criminosos simulam uma central de atendimento e se apresentam como funcionários da instituição bancária. Durante a ligação, alegam que há movimentações suspeitas na conta e orientam a vítima a fazer uma transação para cancelar a operação não reconhecida, ou solicitam a instalação de sistemas e senhas sob o pretexto de atualizações de segurança. O Santander reforça que nunca entra em contato pedindo transações para cancelar compras suspeitas ou Pix indevidos, e que nunca solicita, por telefone, dados de acesso, senhas, códigos de dispositivos de segurança, fotos de QR Code, códigos de validação do ID Santander ou agendamentos de entrega e devolução de cartões. A recomendação final é não seguir instruções para ir a um caixa eletrônico realizar qualquer procedimento de cancelamento, e nunca fornecer dados pessoais ou bancários a quem entra em contato de forma não solicitada.

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