Mercado de assinaturas se diversifica no Brasil com avanço de IA, nuvem, alimentação e Pet, aponta estudo da Vindi

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Flavio Sartori

Com o cenário macroeconômico desafiador moldando o comportamento do consumidor, o mercado de assinaturas no Brasil tem crescido puxado pela diversificação de categorias de serviços. É o que aponta o Relatório Assinaturas 2026, produzido pela Vindi, plataforma de pagamentos da LWSA, em parceria com a Opinion Box.

O consumo de serviços de inteligência artificial (34%), nuvem (43%), alimentação (42%) e produtos para pets (23%) tem puxado a expansão do modelo de recorrência no país, embora o streaming de vídeo ainda lidere com folga, presente em 79% dos consumidores de serviços digitais. A entrada da IA entre as categorias mais assinadas reflete como ferramentas de produtividade e trabalho já disputam espaço com serviços de entretenimento consolidados no orçamento das famílias brasileiras.

A pesquisa mostra que 51% dos brasileiros preveem aumento de seus gastos com assinaturas em um horizonte de cinco anos — o maior percentual já registrado na série histórica do levantamento, com alta de 5 pontos percentuais em três anos: eram 46% em 2024 e 48% em 2025. No curto prazo, porém, a expectativa é mais conservadora: 62% esperam manter os gastos no mesmo patamar nos próximos 12 meses, e apenas 22% projetam aumentá-los.

As assinaturas estão cada vez mais associadas a conveniência, acesso e serviços incorporados à rotina. O estudo aponta que 55% dos brasileiros assinam música e podcasts, e 33% recorrem a cursos online.

Os serviços essenciais seguem dominando os pagamentos recorrentes de 87% dos consumidores. Entre os mais lembrados estão internet, adotada por 77%, energia elétrica, com 74%, celular pós-pago, com 64%, conta de água, com 62%, e serviços de fitness — academias, natação, pilates, personal trainer ou Gympass —, usados por 44% dos brasileiros.

O cartão de crédito permanece como a principal forma de pagamento para assinaturas, com adesão de 65% dos consumidores. O Pix é o segundo meio mais utilizado, com 16%, mas cresce pouco em relação aos anos anteriores — eram 13% em 2025 e 14% em 2024. Na sequência aparecem débito em conta corrente (9%), boleto bancário (5%), carteiras digitais (3%) e cartão da loja (2%).

O valor destinado mensalmente a assinaturas, planos e mensalidades também vem se deslocando para faixas mais elevadas. Em 2026, 29% dos consumidores gastam entre R$ 51 e R$ 100 por mês, e outros 29% entre R$ 101 e R$ 200 — somando as duas faixas superiores a R$ 100, o total já chega a 46% dos brasileiros. Outros 17% desembolsam entre R$ 201 e R$ 500 mensais, ante 14% em 2025 e 11% em 2024. Ao mesmo tempo, a parcela que gasta entre R$ 11 e R$ 50 caiu de 27% em 2024 para 23% em 2025 e 19% neste ano.

Na comparação com os últimos 12 meses, 47% dos entrevistados afirmam que seus gastos com assinaturas permaneceram iguais, enquanto 35% dizem que aumentaram e 18% que diminuíram. Para os próximos 12 meses, 62% esperam estabilidade, 22% preveem aumento e 16% acreditam que vão gastar menos.

O Relatório Assinaturas 2026 foi realizado pelo Opinion Box e pela Vindi e ouviu 1.040 pessoas pela internet entre junho e julho de 2026. A pesquisa contempla entrevistados de todas as regiões do país e possui margem de erro de 3 pontos percentuais

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