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| imagem gerada por IA |
O comportamento de criminosos contra o e-commerce brasileiro mudou de forma significativa no último ano. Segundo o relatório State of Fraud 2026, da Signifyd, que analisou dados de maio de 2025 a abril de 2026, o valor médio dos ataques de fraude disparou 35% no Brasil — um dos maiores aumentos entre os países analisados na América Latina, ao lado do México.
"Vemos no mercado brasileiro uma mudança clara: a fraude ficou mais estratégica e cirúrgica, o que exige dos e-commerces mais tecnologia para evitar atritos com os verdadeiros consumidores. Nossos dados mostram que em vez de focar unicamente em disparar ataques em massa para roubar produtos baratos, os criminosos miram cada vez mais em carrinhos de alto valor", diz Gabriel Vecchia, Country Manager da Signifyd no Brasil. "Nesses casos, eles reduzem a quantidade de golpes, mas multiplicam o prejuízo por transação."
Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla observada globalmente pela empresa: no mundo, a pressão de fraude no e-commerce cresceu 33% ano a ano nos primeiros quatro meses de 2026, com esquemas de fraude potencializados por IA se tornando 4,5 vezes mais lucrativos do que ataques convencionais. Na América Latina como um todo, a pressão de fraude subiu 7,5% no mesmo período.
O relatório aponta um pico expressivo de fraude em torno do Dia das Mães e do Dia dos Namorados brasileiro. Em maio e junho, o valor da pressão de fraude cresceu 44% e 62%, respectivamente. O crescimento veio acompanhado por uma explosão nas tentativas de invasão de contas (Account Takeover, ou ATO): alta de 85% em maio e 133% em junho — o maior salto de ATO sazonal identificado entre os mercados avaliados pela Signifyd.
Nesse tipo de fraude, os criminosos usam credenciais roubadas para acessar contas de clientes legítimos e realizar transações fraudulentas, desviar pontos de fidelidade ou usar cartões já cadastrados. O uso de contas existentes, com histórico real de compras, reduz a chance de a transação ser sinalizada como suspeita por sistemas antifraude tradicionais — uma tática que também impulsionou o crescimento global de 78% nos ataques de ATO registrados pela Signifyd entre janeiro e abril de 2026.
No final do ano, com a chegada da Black Friday e do Natal, o comportamento se repete de forma ainda mais intensa. Embora o volume de tentativas de fraude tenha caído no período, o tíquete médio dessas tentativas no Brasil saltou 53% em novembro e 139% em dezembro — o maior salto isolado registrado entre os países do estudo. O GMV (Gross Merchandise Value, ou Valor Bruto de Mercadoria) total sob pressão de fraude cresceu 39% em dezembro.
Por categoria, eletrônicos seguem como o setor mais visado: alta de 13% em GMV fraudulento e 78% no tíquete médio de fraude, além de ser um dos principais focos de ataques automatizados por bots, com aumento de 43%. Já entre os alvos preferenciais de invasão de conta estão as categorias de beleza e cosméticos, com alta de 195% em pressão de ATO, e moda e vestuário, com salto de 152%.
O quadro reforça um problema que já vinha crescendo na região: segundo levantamento anterior da própria Signifyd sobre o estado da fraude na América Latina em 2025, o Brasil já havia registrado alta de 10% na pressão de fraude, com 10,7% das vendas online do país sendo devolvidas — um problema de US$ 1,3 bilhão ao se considerar apenas devoluções fraudulentas ou abusivas.
A intensificação e a sofisticação dos ataques identificadas agora no relatório de 2026 mostram que o desafio para os varejistas brasileiros deixou de ser apenas volume e passou a ser também identificar fraudes mais bem disfarçadas dentro de transações de maior valor.

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