Pesquisa Pearson e AWS: 74% dos empregadores e estudantes brasileiros dizem que a IA torna o ensino superior ainda mais essencial

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Flavio Sartori

A Pearson e a AWS apresentaram os resultados da pesquisa "Prontidão para a IA: construindo a ponte entre o ensino superior e o mercado de trabalho no Brasil", que analisa como universidades, estudantes e empregadores brasileiros estão se preparando para um mercado de trabalho cada vez mais impactado pela inteligência artificial.

No Brasil, os resultados mostram uma forte percepção sobre o valor contínuo do ensino superior na era da IA. Ao mesmo tempo, revelam um descompasso entre a velocidade da transformação, o acesso às ferramentas e a capacidade de aplicá-las em situações reais de trabalho. O desafio, portanto, não é apenas ampliar a adoção da tecnologia, mas transformar exposição à IA em preparo prático, responsável e alinhado às necessidades do mercado.

O estudo brasileiro ouviu 500 participantes — 350 estudantes de graduação, 100 líderes do ensino superior e 50 empregadores — como parte de uma pesquisa mais ampla, realizada em seis mercados (Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Arábia Saudita, Malásia e Vietnã) com mais de 2.700 respostas no total, complementada por entrevistas qualitativas com especialistas em ensino superior.

Entre os principais achados, 74% dos empregadores e 74% dos estudantes brasileiros acreditam que os avanços da IA tornam o ensino superior ainda mais essencial — uma das taxas mais altas entre os mercados analisados.

Ainda assim, apenas 17% dos estudantes acreditam que suas universidades acompanham a maior parte ou a totalidade dos avanços em IA, ante 38% dos líderes do ensino superior — um índice inclusive abaixo da média de 21% registrada nos demais países pesquisados.

O ritmo acelerado da mudança é sentido com particular intensidade no Brasil: 76% dos empregadores brasileiros esperam que as transformações trazidas pela IA se acelerem nos próximos dois anos, superando as expectativas registradas nos Estados Unidos e no Reino Unido. Líderes do ensino superior (63%) e estudantes (57%) também compartilham essa percepção, ainda que com menos convicção que os empregadores — e 80% dos líderes acadêmicos brasileiros já descrevem o ritmo atual das mudanças como "extremamente rápido" ou "rápido", bem acima da média internacional.

Há também sinal de convergência de interesses: 53% dos estudantes, 52% dos empregadores e 49% dos líderes do ensino superior demonstram interesse por um modelo híbrido que combine formação universitária e experiência prática.

Entre os empregadores, 42% apontam a distância entre conhecimento acadêmico e aplicação prática como uma barreira na contratação de recém-formados, e outros 42% citam a falta de experiência prática com ferramentas de IA no trabalho. Na hora de contratar, 44% priorizam a capacidade de utilizar ferramentas de IA, enquanto outros 44% destacam a compreensão de seus riscos e limitações.

Do lado dos estudantes, apenas 47% dos graduandos estão satisfeitos com a quantidade de conteúdo voltado ao aprendizado de IA no currículo acadêmico — o menor percentual entre os mercados analisados —, e entre 55% e 66% usam ferramentas de IA obtidas por conta própria, fora das opções oferecidas por suas instituições. Mais preocupante ainda: 30% dos estudantes dizem não se sentir confortáveis em revelar aos professores que utilizam IA, o chamado "shadow AI" — o maior nível de uso não declarado entre os mercados analisados.

Os dados sugerem que o que está mudando não é o valor atribuído ao diploma universitário, mas o que ele precisa comprovar em termos de preparo para o mercado de trabalho. A demanda é por uma formação capaz de combinar conhecimento aprofundado com experiência prática, uso responsável da IA e competências humanas que possam ser demonstradas no ambiente de trabalho.

"O estudo mostra que o Brasil reúne condições importantes para liderar uma nova etapa da educação na era da inteligência artificial: estudantes engajados, universidades mobilizadas e empregadores que reconhecem o valor da formação superior. Agora, o ponto decisivo é transformar esse potencial em prontidão real para o trabalho", pontua Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil. "Isso exige aproximar educação e empresas, ampliar o uso responsável da IA e desenvolver competências humanas indispensáveis, como adaptabilidade, comunicação, criatividade e capacidade de julgamento."

Também há sinais de evolução. Entre os empregadores, 54% afirmam que os recém-formados de hoje chegam mais preparados do que os contratados há cinco anos, destacando como pontos fortes a agilidade para aprender (58%) e a capacidade de usar ferramentas digitais e de IA (52%). Ao mesmo tempo, criatividade e pensamento inovador aparecem como uma oportunidade de desenvolvimento: apenas 18% dos empregadores classificam essa competência dos recém-formados como excelente, abaixo da média de 27% dos mercados analisados.

Apenas 15% dos estudantes brasileiros dizem conhecer claramente as diretrizes de suas universidades sobre o uso de IA, enquanto 42% afirmam não ter conhecimento de qualquer orientação institucional. Entre os líderes acadêmicos, 28% consideram significativos os investimentos em IA e 16% os classificam como mínimos ou inexistentes. O estudo também mostra que 34% dos empregadores citam hábitos inadequados de uso de IA — como dependência excessiva ou aceitação não crítica dos resultados gerados pela tecnologia — como um desafio associado aos recém-formados.

"O Brasil tem uma oportunidade única: um ecossistema de ensino superior robusto, estudantes com alto engajamento em tecnologia e empregadores que já reconhecem o valor da IA. O que falta é a ponte — diretrizes claras de governança, formação prática e parcerias entre setor público, academia e indústria. A AWS está comprometida em ajudar a construir essa ponte, oferecendo infraestrutura de nuvem e IA, programas de capacitação gratuitos e colaboração com universidades e governos em todo o país", afirma Paulo Cunha, Diretor para o Setor Público da AWS Brasil.

Para ajudar instituições de ensino e empregadores a transformar diagnóstico em ação, Pearson e AWS identificaram seis pontos de atrito ao longo da jornada entre educação e trabalho, batizados de AI Readiness Friction Framework: ritmo, a distância entre a velocidade das mudanças provocadas pela IA e a capacidade das instituições de atualizar currículos; conexão, a falta de mecanismos consistentes de troca entre empregadores e instituições de ensino; capacidade, o preparo desigual de educadores para integrar a IA às experiências de aprendizagem; governança, a ausência de orientações claras para uso responsável da tecnologia; experiência, a diferença entre ter acesso às ferramentas e contar com oportunidades estruturadas de prática; e competências, o desalinhamento entre o que os estudantes sabem demonstrar e o julgamento, a adaptabilidade e a colaboração exigidos em funções habilitadas por IA.

Ao combinar a experiência da Pearson em aprendizagem, avaliação, credenciais e competências para o trabalho com o conhecimento da AWS sobre como a IA é construída, implementada e governada nas organizações, a pesquisa oferece um referencial comum para aproximar instituições de ensino e empregadores e tornar a prontidão para a IA mais concreta e aplicável.

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