Saúde lidera uso de IA para decisões de compra, aponta Worldpanel by Numerator

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

Medicamentos e produtos de saúde são a categoria em que consumidores mais recorrem à inteligência artificial para apoiar decisões de compra, segundo levantamento da Worldpanel by Numerator com 3.290 lares respondentes. O estudo mostra que ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot já influenciam escolhas de consumo em diferentes segmentos, da saúde a produtos do dia a dia, com destaque para a busca por informação antes mesmo da comparação de preços.

Entre os usuários de IA pesquisados, 11,7% das respostas apontam medicamentos e produtos de saúde como a categoria em que já usaram a tecnologia para apoiar uma compra — a maior fatia do levantamento. Beleza e cosméticos aparecem em seguida, com 9,2%, praticamente empatados com eletrônicos e tecnologia, com 9,1%.

Completam o ranking:

  • Higiene e cuidados pessoais: 8,1%
  • Roupas, calçados e acessórios: 7,5%
  • Eletrodomésticos: 6,9%
  • Alimentos e bebidas: 6,2%
  • Produtos de limpeza e cuidados com a casa: 6,2%

O resultado mostra que o uso de IA em decisões de consumo já ultrapassou categorias tecnológicas e alcança segmentos ligados à saúde, ao cuidado pessoal e a bens duráveis.

Os dados revelam que a principal função da IA na jornada de compra não é recomendar diretamente o que adquirir, mas ajudar a construir a decisão. Entre os motivos para recorrer à tecnologia, a busca por informações detalhadas sobre produtos lidera com 20,9% das respostas, seguida por descobrir as melhores marcas (17,8%) e entender quais aspectos considerar antes da escolha (17,2%).

Preço e recomendação aparecem depois nesse processo: a busca pelo melhor preço ou custo-benefício representa 14,7% das respostas, pedidos de recomendação somam 14%, e a comparação entre produtos ou opções aparece com 13,7%.

"A mudança mais interessante não está apenas em pedir à IA uma recomendação sobre o que comprar. Os dados mostram que ela começa a participar da construção da própria decisão: o shopper busca informação, procura entender quais atributos considerar e conhece alternativas antes de escolher. Para fabricantes e varejistas, isso adiciona um novo ponto de contato à jornada e reforça a importância de entender como a decisão é construída antes mesmo de a compra acontecer", afirma Nathalia Gagetti, gerente sênior de Advanced Analytics & Usage da Worldpanel by Numerator.

O levantamento identifica diferenças relevantes na forma como diferentes grupos usam a tecnologia. Entre respondentes das classes DE, descobrir as melhores marcas representa 20,1% dos usos ligados à decisão de compra, acima dos 18,3% na classe C e dos 17,2% em AB. Já a comparação entre produtos ganha mais espaço entre a classe AB, com 14,2%, contra 13% na classe C e 12,2% em DE.

A busca pelo melhor preço também cresce conforme a classe social: 13,4% das respostas em DE, 14,2% em C e 15,1% em AB. Já os pedidos de recomendação seguem o caminho inverso, correspondendo a 16,5% das respostas entre DE, frente a 13,5% em C e 13,9% em AB — sinal de que a adoção da tecnologia e as necessidades que levam ao seu uso variam entre os diferentes perfis de consumidores.

Apesar do avanço, 17,6% dos usuários de IA pesquisados afirmam nunca ter utilizado a tecnologia para apoiar uma decisão de compra, o que mostra que esse comportamento ainda não está disseminado por toda a amostra. Para marcas e varejistas, o movimento amplia a jornada digital do consumidor, que pode começar antes mesmo da visita a um site, marketplace ou loja física, com uma etapa conversacional de pesquisa e organização de alternativas.

O levantamento também mapeou como os participantes acessam as ferramentas de IA: 84,4% utilizam exclusivamente versões gratuitas, 5,6% combinam versões gratuitas e pagas, e apenas 3,8% utilizam exclusivamente versões pagas. Outros 6,2% afirmam não usar mais essas ferramentas. O predomínio do uso gratuito indica que, na amostra pesquisada, a incorporação da IA à jornada de consumo ocorre principalmente por meio de ferramentas de acesso amplo, enquanto a adesão a serviços pagos permanece mais restrita.

O estudo Flash IAs foi realizado em agosto de 2026 e não foi ponderado para representar a população brasileira — a amostra tem maior participação das classes AB1 e B2 e menor presença de C2 e DE em relação ao universo nacional, o que significa que os resultados não devem ser projetados para o total da população do país.

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