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Pouco mais da metade dos trabalhadores brasileiros (52%) afirma guardar dinheiro para o futuro, mas a capacidade de poupar varia significativamente conforme o perfil financeiro. Entre os profissionais sob maior pressão, apenas 13% conseguem economizar regularmente, enquanto o índice chega a 85% entre aqueles com maior estabilidade. Os dados são da edição 2026 da pesquisa “Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores”, da Serasa Experian.
O levantamento ouviu 1.008 funcionários de empresas públicas, trabalhadores do regime CLT e profissionais PJ entre 12 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
A pesquisa segmentou os trabalhadores em quatro grupos, considerando não apenas renda, mas também hábitos de consumo, relação com crédito, capacidade de planejamento e organização financeira:
- Apertados: enfrentam maior pressão financeira e têm menos capacidade de poupança.
- Vivem o Agora: concentram decisões no presente e apresentam maior exposição à inadimplência.
- Organizando o Futuro: começam a desenvolver hábitos de planejamento e formação de reservas.
- Consolidados: apresentam maior estabilidade, organização financeira e capacidade de poupar.
Os perfis aparecem em diferentes classes sociais, regiões, faixas etárias, modelos de contratação e portes de empresa. As mulheres representam 70% do grupo “Apertados”, enquanto são 61% entre os que estão “Organizando o Futuro” e 56% entre os “Consolidados”. No grupo “Vivem o Agora”, os homens são maioria, com 52%.
A idade média também varia: os que “Vivem o Agora” têm 36 anos; os “Organizando o Futuro”, 39; os “Apertados”, 41; e os “Consolidados”, 43 anos.
Entre os trabalhadores que “Vivem o Agora”, 31% afirmam conseguir guardar dinheiro regularmente, mas 55% estão inadimplentes. No grupo “Organizando o Futuro”, a capacidade de poupar sobe para 55%, enquanto a inadimplência cai para 18%.
A percepção sobre o próprio controle financeiro também revela contrastes. Os que “Vivem o Agora” atribuem nota média de 7,23 à organização das finanças, próxima da média geral de 7,32. Apesar disso, 66% foram negativados nos últimos 12 meses, o maior índice entre os grupos.
Entre os “Apertados”, nenhum entrevistado deu nota 9 ou 10 ao próprio controle financeiro, e 72% atribuíram notas iguais ou inferiores a seis. No extremo oposto, os “Consolidados” apresentam maior estabilidade e capacidade de direcionar recursos para segurança financeira e patrimônio.
O levantamento mostra que trabalhadores com renda semelhante podem viver situações financeiras bastante diferentes. Os grupos “Apertados” e “Organizando o Futuro”, por exemplo, têm distribuição parecida na faixa de renda individual entre dois e quatro salários mínimos, mas apresentam diferenças na capacidade de planejamento, no controle do orçamento e na forma de lidar com compromissos financeiros.
O uso do crédito também evidencia o contraste. Entre os “Apertados”, 91% dizem que o parcelamento é a única forma de comprar determinados produtos ou serviços. O percentual é próximo ao registrado entre os que estão “Organizando o Futuro”, de 88%, mas as condições financeiras e o nível de previsibilidade do orçamento são diferentes.
“Dentro de uma mesma empresa podem existir pessoas vivendo momentos financeiros completamente diferentes. Há quem esteja tentando lidar com necessidades imediatas, quem esteja construindo hábitos de organização e quem já consiga direcionar suas decisões para segurança e patrimônio”, afirma Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian.
A inteligência artificial também começa a fazer parte da rotina financeira dos trabalhadores. Segundo a pesquisa, 60% já recorreram à tecnologia para tirar dúvidas relacionadas a dinheiro, enquanto 74% afirmam que confiariam na IA para apoiar decisões financeiras.
O uso varia entre os perfis. Entre os que “Vivem o Agora”, 73% já utilizaram IA para esse fim, contra 50% entre os “Apertados”. As finalidades também são diferentes: 44% dos trabalhadores sob maior pressão financeira usam ou considerariam usar IA para negociar ou organizar dívidas, ante 12% entre os “Consolidados”.
Já o aprendizado sobre investimentos aparece com mais frequência entre os profissionais estáveis: 66% dos “Consolidados” citam esse objetivo, contra 48% dos “Apertados”.
Para a Serasa Experian, compreender os diferentes perfis financeiros ajuda as empresas a identificar necessidades específicas dentro da própria força de trabalho. A companhia desenvolveu a solução “Conheça seu Colaborador”, que combina inteligência de dados para apoiar processos de recrutamento, compliance e acompanhamento contínuo de colaboradores e candidatos.
“A renda é um ponto de partida importante, mas não oferece, sozinha, uma fotografia completa da saúde financeira. Trabalhadores em faixas semelhantes de remuneração podem ter níveis muito diferentes de folga no orçamento, planejamento e necessidade de recorrer ao crédito”, conclui Lage.

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