Unesp cria centro de pesquisa para inclusão digital de pessoas com deficiência

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Flavio Sartori

A Unesp vai coordenar um novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) dedicado a apoiar a educação superior e a inserção no mercado de trabalho de pessoas com deficiência. Com sede no câmpus de Presidente Prudente, o Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Ecossistema Educacional e Laboral Digital, Inclusivo e Acessível no Estado de São Paulo (CEELDIA-SP) foi aprovado na última chamada do programa financiado pela Fapesp, com investimento de R$ 3,5 milhões ao longo dos próximos cinco anos.

O projeto é coordenado pelo professor Klaus Schlünzen Junior, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Unesp, que estuda o tema há quase duas décadas em um centro de inclusão digital já existente no câmpus. Ele vai liderar um time de 29 pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, entre elas USP, Unicamp, Unoeste, a Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha) e o Instituto Tecnológico da Costa Rica. O centro tem parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e com a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), voltada a formações a distância.

Os CCDs financiados pela Fapesp são desenhados justamente para conectar universidades e centros de pesquisa a órgãos públicos e entidades da sociedade civil, com o objetivo de transformar conhecimento científico em soluções para problemas sociais concretos.

As desigualdades enfrentadas por pessoas com deficiência no Brasil são expressivas. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, apenas 24,4% dos homens e 26,5% das mulheres com deficiência de 25 anos ou mais completaram a educação básica obrigatória — menos da metade dos percentuais registrados entre pessoas sem deficiência na mesma faixa etária (54,4% e 60,1%, respectivamente).

No mercado de trabalho, o cenário se repete: pessoas com deficiência se inserem menos na força de trabalho e, quando empregadas, apresentam taxa de informalidade superior à de pessoas sem deficiência, independentemente de cor ou raça. De acordo com o último Censo, pessoas com deficiência representam 8,2% da população da região Sudeste com 2 anos ou mais de idade, e no estado de São Paulo esse grupo soma cerca de 3,5 milhões de pessoas.

"A ideia do CCD é criar um ecossistema inclusivo e acessível, que estamos chamando de ecossistema educacional e laboral, baseado nas tecnologias digitais. Embora tenhamos uma lei que nos dá diretrizes para que as pessoas com deficiência tenham acesso aos ambientes digitais, isso não acontece na prática", afirma Klaus Schlünzen Junior, que também coordena o Programa de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva em Rede Nacional (Profei), voltado à formação continuada de professores da educação básica pública.

Segundo o pesquisador, a proposta é unir a expertise da rede em educação inclusiva à missão das universidades de formar profissionais preparados para uma sociedade mais inclusiva, considerando também a inserção de pessoas com deficiência no mundo do trabalho.

O novo centro pretende atuar em duas frentes principais: o desenvolvimento de soluções práticas de infraestrutura digital que garantam inclusão, permanência e participação efetiva de pessoas com deficiência na vida economicamente ativa, e o monitoramento da trajetória desse público, da formação até a entrada no mercado de trabalho.

"O centro prevê também a elaboração de documentos norteadores de políticas públicas para fazer com que a sociedade possa compreender melhor as questões envolvidas", conclui Schlünzen Junior.

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