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O Brasil ocupa a oitava posição no ranking global de conhecimento sobre cibersegurança e privacidade online, segundo a edição 2026 do National Privacy Test, realizado pela NordVPN. O país avançou duas posições em relação ao levantamento anterior, quando aparecia em 10º lugar, mas ainda apresenta dificuldades diante de ameaças mais recentes, como deepfakes, golpes com inteligência artificial e vazamentos de dados.
O Brasil alcançou 44 pontos em uma escala de 0 a 100. A pesquisa reuniu 23.181 participantes de 167 países, que responderam a 24 perguntas sobre hábitos digitais, proteção de dados e riscos na internet.
Os brasileiros tiveram desempenho elevado em práticas tradicionais de segurança digital. Segundo o levantamento:
- 95% sabem como criar uma senha forte
- 91% reconhecem que publicações em redes sociais podem ser usadas para treinar modelos de IA
- 89% entendem quais conteúdos ficam visíveis para seguidores nas redes sociais
- 85% sabem quais empresas podem coletar dados sobre sua navegação
- 64% reconhecem a importância de manter aplicativos atualizados
Apesar desse conhecimento, poucos participantes demonstraram saber quais ferramentas e configurações ajudam efetivamente a reduzir a exposição de dados pessoais.
Apenas 2% responderam corretamente à questão sobre o uso seguro de redes Wi-Fi públicas, enquanto 5% souberam indicar como gerenciar dados compartilhados por meio das permissões concedidas aos aplicativos. Somente 8% identificaram corretamente aspectos de privacidade relacionados ao uso de ferramentas de IA no ambiente profissional.
As ameaças digitais mais recentes aparecem entre os principais pontos de dificuldade. Apenas 46% dos brasileiros reconheceram corretamente sinais de conteúdo produzido ou manipulado por deepfake, quatro pontos abaixo da média global, de 50%.
No caso dos golpes que usam IA, 64% identificaram corretamente as situações apresentadas, ante 74% na média mundial. O conhecimento sobre infostealers — malwares capazes de roubar senhas, cookies e outras informações armazenadas no navegador — também é limitado: somente 34% dos participantes brasileiros sabiam quais dados esse tipo de ameaça pode capturar.
Para Marijus Briedis, CTO da NordVPN, segurança digital não se resume mais a conhecer regras básicas. "À medida que a inteligência artificial torna os golpes mais convincentes e a coleta de dados menos visível, as pessoas precisam avaliar melhor quais informações um serviço realmente necessita, se determinado conteúdo é confiável e o que cada ferramenta de privacidade efetivamente protege", afirma.
A pesquisa dividiu os participantes brasileiros em quatro categorias de acordo com o desempenho:
- Cyber Wanderers: 5%, com conhecimento mínimo sobre segurança digital
- Cyber Tourists: 58%, com conhecimentos básicos, mas sujeitos a erros comuns
- Cyber Adventurers: 36%, com domínio mais avançado
- Cyber Stars: 2%, grupo com maior nível de conhecimento
Os percentuais são arredondados e podem não totalizar exatamente 100%.
Singapura ficou na primeira posição do National Privacy Test de 2026, com 52 pontos. A Polônia aparece em segundo lugar, com 51 pontos, enquanto Alemanha e Finlândia dividem a terceira colocação, com 50 pontos cada.
O ranking brasileiro foi calculado com dados consolidados até 31 de julho de 2026. A NordVPN alerta que as pontuações absolutas deste ano não devem ser comparadas diretamente com as de edições anteriores, porque algumas perguntas foram atualizadas para incluir temas como IA, deepfakes, golpes com QR Code e riscos relacionados a portas USB públicas.
A NordVPN recomenda o uso de senhas fortes e diferentes para cada serviço, preferencialmente armazenadas em um gerenciador confiável, além da ativação de passkeys e autenticação multifator sempre que disponíveis.
A empresa também orienta os usuários a revisar regularmente as permissões concedidas aos aplicativos e limitar o acesso a localização, contatos, microfone, fotos e outros dados apenas quando necessário. Em redes Wi-Fi públicas, a recomendação é verificar se a rede é legítima e evitar operações sensíveis em conexões desconhecidas.
Outro cuidado envolve ferramentas de inteligência artificial: senhas, dados financeiros, documentos confidenciais, informações de clientes e outros conteúdos sensíveis não devem ser inseridos em serviços de IA sem verificar previamente como os dados serão utilizados e protegidos.

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