Brasil registra mais de 487 mil ataques DDoS no primeiro semestre de 2026

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Flavio Sartori

O Brasil registrou 487.415 ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) entre janeiro e junho de 2026, alta de 3,56% em relação ao segundo semestre de 2025, quando foram contabilizados 470.677 incidentes. Os dados são do Relatório de Inteligência sobre Ameaças DDoS da NETSCOUT.

No período, a duração média dos ataques no país foi de 59,31 minutos. Globalmente, a NETSCOUT identificou mais de 9,1 milhões de ataques DDoS entre janeiro e junho de 2026.

O setor de telecomunicações concentra a maior parte das investidas no Brasil. Empresas de telecomunicações sem fio, exceto as de satélite, lideram o ranking com 141.400 ataques, seguidas por provedores de infraestrutura de computação e hospedagem na web, com 50.499 incidentes, e operadoras de telecomunicações com fio, com 27.967 ataques.

Somadas, as três categorias de telecomunicações representam 175.023 ataques, o equivalente a 35,9% do total registrado no país no primeiro semestre.

Outros setores também aparecem entre os dez mais visados, como bancos comerciais, com 4.235 ataques; restaurantes de serviço completo, com 3.206; e serviços de consultoria em distribuição física e logística, com 2.581 incidentes.

O relatório aponta uma mudança no perfil dos ataques. Globalmente, incidentes que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps cresceram 1.286% no primeiro semestre de 2026, indicando que ataques de alta capacidade deixaram de ser exceção.

A empresa também destaca o uso crescente de proxies residenciais e de plataformas de ataque sob demanda, conhecidas como DDoS-for-hire. Esses recursos dificultam a identificação da origem e tornam insuficientes controles de rede tradicionais.

“Incidentes de alta capacidade já não são anomalias; são rotineiros”, afirmou Hardik Modi, vice-presidente de Engenharia, Soluções DDoS e Equipe de Inteligência de Ameaças ASERT da NETSCOUT.

No Brasil, os cinco vetores mais frequentes foram TCP ACK, com 138.626 ocorrências; DNS Amplification, com 61.575; TCP SYN, com 37.481; DNS, com 20.736; e TCP SYN/ACK Amplification, com 18.044.

Entre os 24 vetores combinados nos ataques complexos, destacam-se DNS Amplification, TCP ACK, TCP RST, TCP SYN e UDP.

Segundo a empresa, o risco cresce em três frentes: o volume de tráfego que precisa ser inspecionado, o número de pontos onde a mitigação deve ser aplicada e a proporção de ataques capazes de interromper serviços sem saturar um link.

A empresa recomenda que provedores e organizações adotem mitigação seletiva e mais precisa, além de ampliar a capacidade de filtragem nas extremidades da rede.

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