Cabos submarinos podem virar sensores para monitorar o fundo do mar

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

Uma pesquisa da BAE Systems investiga como transformar cabos de fibra óptica já instalados no oceano em uma rede contínua de sensores. A proposta é usar a mesma infraestrutura que transporta dados entre países para também detectar atividades que possam colocar essas conexões em risco.

A tecnologia usada é o sensoriamento acústico distribuído, conhecido pela sigla DAS. Ao analisar pulsos de luz enviados pelas fibras, o sistema identifica vibrações mínimas provocadas por ondas de pressão acústica. Na prática, um cabo que percorre centenas de quilômetros pelo leito marinho passa a funcionar como uma sequência de microfones.

Segundo a empresa, o sistema pode captar desde mudanças ambientais até o movimento de embarcações e a presença de animais marinhos.

O trabalho começou com um objetivo mais restrito: acompanhar as condições de cabos de energia e identificar falhas, atividade sísmica ou danos acidentais causados pelo tráfego marítimo. Depois, passou a explorar usos mais amplos, como a detecção de barcos que se aproximam de estruturas sensíveis.

Com um alerta antecipado, operadores poderiam entrar em contato com os navios para avisá-los antes que um cabo seja danificado. A mesma capacidade também pode apoiar a vigilância marítima, como o monitoramento de pesca ilegal em áreas protegidas.

Captar o som é só parte do problema. A empresa informa que uma única unidade de DAS pode gerar até um petabyte de dados por dia. Para filtrar esse volume, a empresa usa algoritmos de aprendizado de máquina, com parceiros de software, para classificar assinaturas acústicas.

O objetivo é distinguir sons de baleias, contêineres à deriva, barcos de pesca e embarcações de interesse. Assim, os operadores poderiam se concentrar apenas nos eventos relevantes.

Os dados acústicos também podem ser combinados com informações de radares, satélites e sistemas de identificação automática de embarcações (AIS), formando uma visão mais completa do ambiente marítimo.

O projeto prepara uma etapa de coleta de dados de longo prazo. Sensores DAS serão instalados em um cabo comercial por três meses, e as informações obtidas em condições reais servirão para treinar e refinar os algoritmos. A meta é aproximar a tecnologia de uma capacidade operacional.

Pesquisas acadêmicas já indicam que o DAS pode detectar e localizar embarcações em fibras submarinas. Um estudo no Mar do Norte, com 28 km de fibra e dez dias de dados, obteve pontuação F1 acima de 90% na detecção de navios a até 1.000 metros do cabo.

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